Celebração da morte de Jesus
Muito tempo atrás, Deus revelou uma mensagem a um profeta. Deus disse que um dia as pessoas vão viver em harmonia com a natureza. Ninguém vai ficar doente. As famílias vão construir suas próprias casas, tirar seu sustento da terra e ficar muito satisfeitas com seu trabalho. — Isaías 11:6-9; 35:5, 6; 65:21-23.
Como podemos ter certeza que isso vai acontecer? Jesus fez milagres para mostrar às pessoas que o mundo inteiro vai ser bom assim. Ele também morreu por nós. Por causa da morte dele, a tristeza vai deixar de existir e todas as promessas de Deus vão se cumprir. A morte de Jesus foi tão importante que ele mandou seus discípulos se reunirem todos os anos para lembrar da morte dele. — Lucas 22:19, 20.
Pelo calendário usado nos tempos bíblicos, o dia da morte de Jesus vai cair neste ano na terça-feira, dia 11 de abril. As Testemunhas de Jeová convidam você para estar com elas nessa data e aprender como a morte dele pode ajudar você e sua família.
As Testemunhas de Jeová convidam toda a comunidade tarauacaense para estar presente a Celebração da morte de Cristo. 
Evento bíblico gratuito dia 11 de Abril, em dois horários:
18 às 19h ou das 19:40h às 20:40h
No Salão do Reino das Testemunhas de Jeová na entrada do Bairro Avelino Leal (Bairro Novo) 

O “gostar” que escraviza

Por Hugo Brito

 

Era estranho vê-la assim. Estranho não, dolorido, indignante, cruel.

Recordei-me com facilidade dos seus dias felizes. Ela era só alegria e dizia insistentemente do quanto estava apaixonada. Eu a encorajava a viver o momento. Ele era filho único. Ela também. Conheceram-se em um congresso realizado na faculdade em que ambos estudavam. Lambuzaram-se em desejos e promessas.

Tudo ia bem… três meses de namoro… o noivado.

Achei tudo muito apressado, mas na qualidade de amiga há tantos anos, não quis estragar tantos sorrisos.

Atiçada pela curiosidade, buscava saber mais da vida dos dois. Mas eu já não mais a via. Os nossos encontros, que antes eram constantes e espontâneos, resumiram-se às mensagens curtas e atrasadas no whatsApp.  E sempre que marcávamos algo, ela confirmava para logo depois dizer que não poderia ir. As desculpas eram variadas e estranhas. Apeguei-me a crença de que a razão de tudo eram as ocupações para o casamento.

Lembro-me, também, que recebi uma ligação de sua mãe. Notei preocupação em seu tom de voz. E com delicadeza e um jeito todo maternal, ela me indagou acerca do comportamento da filha. Aquela perguntou causou-me inquietação, afinal, ao que parecia, não era apenas eu a notar as mudanças que Marcela vinha demonstrando sofrer. Acudiu-me a ideia de ligar para uma amiga em comum, e que era colega de faculdade e de trabalho de Marcela. Minhas preocupações aumentaram. Marcela não frequentava mais à universidade há mais de dois meses, descobri. No trabalho, pelo que soube, a moça alegre e que gostava de falar do futuro deu lugar ao silêncio e ao semblante de dor. Por vezes encontraram-na chorando, ela dizia ser saudade dos pais, que moravam no interior do Estado. Ninguém acreditava.

   Mas foi em uma noite regada por uma chuva intensa que fui surpreendida pelas batidas em minha porta. Temi abri-la, afinal, moro sozinha. Mas aí as batidas se seguiram entremeadas com um grito que dizia: “sou eu, a Marcela. Abre, por favor!”. Escancarei a porta e deparei-me com uma cena de dor. As lágrimas de minha amiga confundiam-se com o sangue que estava escorrendo pelo seu rosto. Ela estava muito machucada e igualmente assustada. Eu a acolhi. Em soluços, ela disse tudo: contou das agressões que vinha sofrendo por parte de seu noivo. Disse da maneira sutil como as fealdades da relação foram aparecendo. Esclareceu como o encantamento transformou-se em cobrança e dor. Que no início ele demonstrava ciúmes, mas não era violento, e ela até via suas manifestações como algo bom, pois era um sinal de que ele lhe devotava amor, e que quem ama cuida.  Com o tempo, entretanto, ele passou a incomodar-se com o fato de ela estar em um grupo da família no whatsApp, onde havia diversos familiares. Depois veio a proibição das roupas. Na sequência, o incômodo com a nossa amizade. Ele a proibiu de falar comigo, e, para tanto, usou o argumento de que eu a iria pôr no mal caminho, pois era solteira. 

Após tantas proibições, o primeiro soco. Marcela foi agredida porque discordou do namorado. Após agredi-la, ele a abraçou, ensaiou algumas lágrimas e pediu perdão. Ela o perdoou. Dias se seguiram de paz, e um futuro bom pareceu lhe acenar. Mas então veio a segunda agressão. A razão? Enquanto assistiam a um filme, em casa, ela mencionou com sorrisos sobre a beleza de um dos atores, e tanto bastou para uma agressão ainda maior que a última. Dessa vez os socos vieram acompanhados pelas ameaças. Depois o pedido de perdão e a promessa de que aquilo não mais tornaria a ocorrer. Ela disse não e veio bater à minha porta.

Após ouvir horrorizada aqueles pormenores, incentivei Marcela a ir comigo à uma delegacia da mulher. Era preciso denuncia tudo aquilo e pedir uma medida protetiva. Ela não quis e argumentou que não queria vê-lo preso. Disse ainda que se tratava de um homem bom e que só precisava de ajuda. Falou das orações diárias que devotava à melhora de seu companheiro. Concluiu, por fim, que ela também tinha culpa, pois dava muitas razões para que ele ficasse daquele jeito.

 Pediu para dormir em minha casa. No dia seguinte, retornou para a sua.

Agora, vê-la neste estado, deitada sem vida em um caixão, também me faz sentir culpada. Eu deveria tê-la convencido a ir à delegacia. E mais que isso, ainda que ela permanecesse com sua postura de resistência, eu mesma deveria ter ido. Era melhor perder uma amizade para a discordância, do que perdê-la para a violência desmedida que trouxe consigo a morte de alguém que eu tanto amo.

**Hugo Brito  é  advogado e amante incurável  dos bons livros

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