A carta de Eduardo Bolsonaro (PL-SP) pedindo para exercer seu mandato de deputado diretamente dos Estados Unidos traz, nas entrelinhas, uma ameaça do deputado ao presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB).
Em um trecho do documento, Eduardo deixa implícito que, caso não atenda a seu pedido, Motta pode, em breve, entrar na lista dos sancionados pelo governo de Donald Trump, possivelmente com a perda de visto ou pela Lei Magnitsky.
Eduardo e Jair Bolsonaro
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Eduardo Bolsonaro manda “conselho” a autoridades brasileiras sobre medidas de Trump
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Eduardo Bolsonaro
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No trecho final da carta, o filho 03 de Jair Bolsonaro dá a entender que uma negativa de Motta a seu pedido poderia ser interpretada como se a Câmara estivesse sendo “cúmplice” das decisões do ministro do STF, Alexandre de Moraes.
“Excelentíssimo presidente, este é um momento decisivo. A soberania da vontade popular não pode ser atropelada por medidas arbitrárias, e a Câmara dos Deputados não pode se tornar cúmplice de um regime ditatorial já sancionado internacionalmente por graves violações de direitos humanos”, escreveu Eduardo.
Tanto Eduardo quanto seu “escudeiro” nos Estados Unidos, o jornalista Paulo Figueiredo, têm reiterado que outras autoridades sem envolvimento direto nas ações contra Jair Bolsonaro também devem ser sancionadas.
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As sanções viriam justamente pelo entendimento de “cumplicidade”. Em março, por exemplo, Figueiredo compartilhou uma notícia do Metrópoles sobre a extensão das sanções e disse: “Mas é claro que vai se estender.”
Já em julho, o jornalista compartilhou uma postagem de Darren Beattie, subsecretário de Estado para a Diplomacia Pública, que falava das sanções contra Moraes e fazia um aviso para “aqueles que foram cúmplices”.
“Está aí a ameaça aos demais ministros e outros cúmplices”, comentou Figueiredo.
Pior que a pandemia?
Além da “ameaça” a Motta, outro trecho da carta chama atenção. Nele, Eduardo alega que poderia exercer seu mandato nos Estados Unidos, uma vez que, durante a pandemia da Covid-19, foi permitido que parlamentares atuassem remotamente.
Segundo o filho 03 de Jair Bolsonaro, que está nos EUA com a família e chegou a registrar viagens para a Disney, em Orlando, e para um rodeio no Texas, o risco de Eduardo ser perseguido seria maior do que o de adoecer na pandemia.
“A Câmara dos Deputados já criou precedentes claros para a participação remota de parlamentares durante a pandemia de Covid-19, preservando a continuidade dos trabalhos em circunstâncias excepcionais. Contudo, as condições atuais são muito mais graves do que as vividas naquele período: o risco de um parlamentar brasileiro ser alvo de perseguição política hoje é incomparavelmente maior do que o risco de adoecer gravemente durante a pandemia”, diz o deputado.
O Brasil, entre 2020 e 2023, registrou mais de 700 mil mortos por causa da Covid-19.