A esquerda, quando chega ao poder, tem se demonstrado absolutamente ineficaz na solução dos problemas da população. Ela é graciosa, é verdade, é agradável e generosa no discurso, mas, como diz o dito popular, discurso “não põe mesa”.
A esquerda sempre teve fortes limitações por parte do setor econômico e político para atingir os seus objetivos.
Essa discussão, sobre como seguir, teve início em 1889 na fundação do SPD – Partido Social Democrata Alemão, que congregava os trabalhadores e descontentes com a situação social na Alemanha. O SPD era “social”, no sentido da inclusão dos trabalhadores nas benécias da economia; e “democrata”, uma vez que os sistemas capitalistas á época, em sua maioria, não eram eleitorais. Kautsky argumentava por ganhos contínuos através da via eleitoral; e Rosa Luxemburgo pelos “métodos revolucionários”, dizendo que os “votos econômicos” são desproporcionais em relação aos “votos eleitorais”, com a predominância do econômico. Prevaleceu a posição de Kautsky.
Até 1960, as democracias eleitorais prosperaram, com ganhos para o capital e o trabalhador. A partir de 1960, entretanto, aumenta a concentração de renda, com o decréscimo da participação no PIB das classes médias e trabalhadoras.
Quando as classes médias são comprimidas, tornam-se presas fácil do discurso da direita radical, que culpam as elites sendo eles da própria elite.
Nessa situação, a esquerda eleitoral quando chega ao poder, diante da forte concentração de renda e das decisões políticas, pouco pode fazer. Não supre às demandas eleitorais da população.
Crescem então os líderes da direita radical, com o discurso do ódio. A irracionalidade é também um produto da modernidade.
A tendência para o fascismo acelera.
Ricardo Guedes é Ph.D. em Ciências Políticas pela Universidade de Chicago e autor do livro “Economia, Guerra e Pandemia: a era da desesperança”