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Agosto Lilás: Patrícia Ramos emociona ao falar sobre violência

Por Metrópoles28 de agosto de 20255 Mins Read
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Agosto Lilás: Patrícia Ramos emociona ao falar sobre violência
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A apresentadora e criadora de conteúdo Patrícia Ramos compartilhou sua trajetória de superação de um relacionamento abusivo com mulheres atendidas pelos Centros Especializados de Atendimento à Mulher (CIAMs e CEAMs) durante o encerramento do Agosto Lilás, promovido pela Secretaria de Estado da Mulher, nesta quinta-feira (28/08).

Em seu relato, ela falou sobre como enfrentou diferentes formas de violência física, psicológica, moral e patrimonial, e destacou a dificuldade de romper o ciclo devido às pressões sociais.

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O relato de Patrícia Ramos

“Eu cresci no meio evangélico, onde as pessoas veem o casamento como um troféu, algo que você nunca pode largar, porque senão é uma mulher fracassada. Então, para mim, foi muito difícil aceitar o processo de separação. Embora eu já soubesse que queria, eu estava muito certa disso, mas pensava muito no que as pessoas iam achar. Até que me dei conta de que ninguém mora com você, ninguém passa pelo que só você está passando. Foi aí que decidi não dar ouvidos ao que pensavam a meu respeito”, relatou.

Patrícia também destacou a importância da autonomia financeira para romper o ciclo da violência e encorajou as participantes, que também passam ou passaram por situações de violência, a buscarem sua independência econômica:

“Um dos principais fatores a que me agarrei quando decidi me separar foi a minha autonomia financeira. Pensei: ‘Eu tenho o meu próprio dinheiro, então posso sair daqui agora se quiser’. O trabalho e a independência financeira são muito importantes nesse processo”, disse ela.

O evento de encerramento do Agosto Lilás aconteceu no Espaço Manancial, da CEDAE, e, além da roda de conversa, contou com oficina de maquiagem com profissionais da MaxiBeleza, apresentação das meninas do Passinho Carioca e uma exposição composta por telas produzidas por mulheres em situação de violência durante oficinas de pintura nos CIAMs.

Destacou importância do acolhimento

A apresentadora ressaltou ainda o valor do acolhimento coletivo para a reconstrução das mulheres:

“Estou muito feliz por estar aqui, porque neste espaço estamos nos escutando. É muito bom compartilhar minha história com mulheres que viveram momentos difíceis como eu, mas que, com o apoio do CIAM, estão reconstruindo suas vidas. Esse é um lugar que dá colo, um ombro amigo, e eu desejo que mais mulheres conheçam esse espaço tão potente”, concluiu Patrícia.

A roda de conversa contou também com a empresária Karen Trajan, proprietária da MaxiBeleza, na Saara, que falou sobre sua experiência de superação e destacou a importância da união entre mulheres como ferramenta de enfrentamento à violência de gênero.

Histórias de recomeço

Além de ouvirem relatos inspiradores, mulheres atendidas pelos Centros puderam compartilhar suas próprias histórias de recomeço. Uma delas, identificada como Lúcia (nome fictício), se emocionou ao contar:

“O CEAM me ajudou e ainda me ajuda a me reerguer. Foram muitos anos de casamento e está tudo muito recente ainda, mas o amparo que recebo tem sido fundamental. Estou quebrando barreiras. Ver que outras mulheres também passaram por momentos difíceis e conseguiram ficar bem me dá a certeza de que eu também vou ficar bem”, disse ela.

A secretária de Estado da Mulher, Heloisa Aguiar, se emocionou com os relatos e destacou a importância dos Centros Especializados:

“Não havia forma melhor de concluir o Agosto Lilás. Os centros especializados são verdadeiros oásis de acolhimento e amor”, disse a secretária.

Cores de recomeço

Entre maio e julho, foram realizadas oficinas de pintura conduzidas pela artista plástica Fernanda Brandão. As atividades tiveram como objetivo oferecer acolhimento, promover o bem-estar e fortalecer a autoestima de mulheres em situação de violência. O trabalho resultou em uma exposição coletiva apresentada no evento de encerramento.

As oficinas foram desenvolvidas nas três unidades de referência do Governo do Estado: o CIAM Márcia Lyra, no Centro do Rio; o CIAM Baixada, em Nova Iguaçu; e o CEAM Queimados.

“A arte se mostrou uma ferramenta na reconstrução da autoestima, na expressão de subjetividades e na transformação da dor em novos significados”, afirmou a superintendente de Enfrentamento às Violências da SEM-RJ, Giulia Luz.

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Patrícia Ramos

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Patrícia Ramos

Foto: Instagram/Reprodução

Rede de proteção

O Governo do Estado mantém uma rede de acolhimento formada por três Centros Especializados de Atendimento à Mulher (CEAMs e CIAMs). Localizadas no Centro do Rio, em Queimados e em Nova Iguaçu, as unidades da Secretaria de Estado da Mulher oferecem atendimento psicológico, social e jurídico, além de ações de capacitação profissional, geração de renda e fortalecimento da autonomia.

Em 2024, os Centros Especializados já realizaram 11 mil atendimentos, oferecendo apoio integral a mulheres em situação de violência física, sexual, moral, psicológica ou patrimonial. Apenas no primeiro semestre deste ano, foram 7.085 atendimentos.

Essa rede de enfrentamento também inclui 14 Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (DEAMs), um abrigo sigiloso, 47 equipes da Patrulha Maria da Penha, além de UPAs e hospitais estaduais com profissionais capacitados para acolher vítimas de violência.

Todos os endereços, incluindo os dos 50 Centros Especializados Municipais existentes no estado, podem ser consultados no aplicativo gratuito Rede Mulher e no site www.secmulher.rj.gov.br.

Endereços das unidades estaduais:

CIAM Márcia Lyra – Rua Regente Feijó, 15 – Centro, Rio de Janeiro
CEAM Queimados – Rua Odilon Braga, 26 – Queimados, RJ
CIAM Baixada – Rua Coronel Bernardino de Melo, s/nº, 4º andar – Centro, Nova Iguaçu

Fonte:
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