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CGU vai abrir processos contra 38 entidades pela farra do INSS; veja lista

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CGU vai abrir processos contra 38 entidades pela farra do INSS; veja lista

A Controladoria-Geral da União (CGU) se prepara para abrir Processos Administrativos de Responsabilização (PARs) contra 38 entidades envolvidas na “farra do INSS”, revelada pelo Metrópoles.

Do total, a coluna apurou quais são 34 associações (leia a lista ao fim da reportagem) das 38 que serão alvos dos processos -as outras quatro associações são entidades de menor porte.

Os procedimentos, segundo apurou a coluna, devem ser abertos todos de uma só vez nos próximos dias e tem como base descobertas feitas pelos técnicos da CGU sobre como as entidades fraudaram os registros para efetuar os descontos na folha de pagamento sem autorização dos aposentados.

O PAR é um instrumento utilizado pela CGU para apurar a responsabilidade de pessoas jurídicas que praticam atos contra a administração pública.

Uma das entidades que vai ser alvo de processo é o Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos da Força Sindical (Sindnapi), ligado a Frei Chico, irmão do presidente Lula (PT).

Frei Chico, como é conhecido José Ferreira da Silva, é vice-presidente do Sindnapi. Segundo as investigações, a entidade arrecadou cerca de R$ 259 milhões por meio de mensalidades associativas entre janeiro de 2019 e março de 2024.

Outra entidade ligada historicamente à esquerda e que agora pode passar a responder a um PAR da CGU é Confederação Nacional dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares (Contag).

Ambas estão entre as maiores beneficiadas por descontos de aposentados e pensionistas do INSS, conforme apontam documentos da investigação que apura as fraudes. No mesmo período analisado -de 2019 a 2024 – a Contag somou mais de R$ 2 bilhões em descontos.

Além da Contag e Sindnapi, a CGU também estuda abrir procedimentos contra a Associação de Aposentados Mutualista para Benefícios Coletivos (Ambec), a Associação dos Aposentados e Pensionistas do Brasil (AAPB), e a Associação dos Aposentados Pensionistas dos Regimes Geral e Próprio de Previdência Social (AAPPS Universo).

A Ambec é uma das entidades que possuem relação com Antonio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS.

Segundo dados mais recentes, a Ambec, por exemplo, arrecadou em descontos cerca de R$ 500 milhões entre dezembro de 2021 e março de 2025. As investigações mostram que ela foi uma das entidades que mais cresceu durante o período.

Já a AAPPS Universo teria tido um impacto estimado em aproximadamente R$ 255 milhões entre julho de 2022 e março de 2025.

Todas elas são citadas na operação Sem Desconto, da Polícia Federal (PF), que apura possíveis irregularidades em R$ 6,3 bilhões em descontos de aposentados e pensionistas do Instituto Nacional de Seguro Social (INSS).

Elas também aparecem nos relatórios da CGU e documentos das apurações, utilizados para embasar as ações da PF em abril deste ano, quando a operação Sem Desconto foi deflagrada. Parte delas também foi alvo de uma ação de indisponibilidade da Advocacia-Geral da União (AGU), protocolada em maio, para alcançar os bens dos investigados.

Muitas delas também têm ligações com supostos operadores da “farra do INSS”, a exemplo da Confederação Nacional dos Agricultores Familiares Rurais e Empreendedores Familiares Rurais do Brasil (Conafer).

No caso da Conafer, o assessor do presidente da entidade é Cícero Marcelino, que teve transações suspeitas citadas pela PF na investigação, além de apontar para uma “trilha financeira” envolvendo a Confederação com indícios de fluxo irregular de recursos.

Outra entidade que deve entrar na mira da CGU é a AAPEN, que já teve como presidente a advogada Cecília Rodrigues Mota, outra apontada como suposta operadora do esquema. Como mostrou a coluna, ela esteve em uma reunião no INSS em setembro de 2024, já sob o governo Lula.

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Leia abaixo a lista de entidades contra as quais a CGU se prepara para abrir PARs:

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