Em entrevista ao Contexto Metrópoles na tarde desta sexta-feira (29), o deputado federal Eduardo Bolsonaro disse que, se pudesse, dobraria o salário de seus assessores – desde fevereiro, ele vive nos EUA e mantém uma equipe empregada em seu gabinete em Brasília. Segundo ele, os assessores continuam assessorando-o remotamente.
“(Quanto aos) meus assessores, não é justo, por conta de uma perseguição que o seu deputado está sofrendo, que eles venham da noite pro dia, a perder o salário”, disse.
“Os meus assessores ficaram empregados enquanto eu tiver a possibilidade de manter os seus salários. Se eu pudesse, eu dobrava o salário deles, porque são pessoas corajosas. Só de estarem trabalhando comigo, isso já demonstra coragem”, disse ele.
“Ou vocês acham que eles não estão sofrendo risco de ter uma busca e apreensão? O ‘fishing expedition’?. ‘Vamos lá pegar o salário deles aqui, ver o que estão dizendo’, como fizeram com o meu pai”, disse Eduardo.
“Concordo que não é uma situação ideal, mas não é justo você demitir uma pessoa da noite pro dia, porque o deputado está sendo perseguido”.
“O ideal é a gente pressionar Hugo Motta para que seja dada uma solução. A solução tecnológica já existe (…). Se optarem por não reconhecer a minha perseguição, aí vai da responsabilidade de cada um”, disse.
Alexandre de Moraes tem vida incompatível com salário do STF, diz Eduardo Bolsonaro
Na entrevista, Eduardo afirmou que o ministro Alexandre de Moraes mantém um padrão de vida incompatível com seus ganhos no Supremo Tribunal Federal (STF). Para Eduardo, Moraes recebe auxílio financeiro de sua mulher, a advogada Viviane Barci de Moraes, e por isso ela também poderia ser alvo de sanções da Lei Magnitsky.
“Quando Alexandre de Moraes se tornou ministro da Suprema Corte, ele deixou seu escritório, o Alexandre de Moraes Advogados, e esse mesmo escritório passou a se chamar Barci de Moraes Advogados. Barci, que é o sobrenome da esposa do Alexandre”, disse.
“Então você vê que existe uma continuidade naquele empreendimento. E certamente um ministro da Suprema Corte, que tem salário de R$ 50 mil brutos, não vai conseguir usar relógio de R$ 200 mil ou R$ 300 mil apenas fruto do seu trabalho. Há uma incompatibilidade entre o que Alexandre de Moraes veste, usa, os vinhos que toma etc., e o salário dele”, declarou.
“Eu sei porque o salário de deputado federal chega perto do da Suprema Corte. Então é evidente que ele tem uma outra rede de financiamento, uma outra fonte. Isso está conectado com a esposa dele”, completou.
Eduardo Bolsonaro sugere que delegação BR fique a disposição de Trump
Para Eduardo Bolsonaro, o governo brasileiro mande uma comissão para ficar aguardando a disponibilidade de agenda da administração de Donald Trump.
“Vou dar o exemplo de um país que conseguiu resolver a questão tarifária: o Japão. O Japão montou uma comitiva, enviou para a capital americana, e ficou à espera de agenda. E não como o lula, que fica pensando ‘ah, será que o Trump vai puxar minha orelha?’”, disse.
“Isso é algo muito pequeno perto da responsabilidade daqueles que pretendem representar a população brasileira. Será que não dá pra deixar uma delegação brasileira disponível 24 horas em Washington DC?”, disse ele.
“O presidente Trump colocou na carta a Lula os pontos que fizeram com que ele colocasse a maior tarifa do mundo contra o Brasil. Nos outros países é 20, 30% (…), no Brasil foi 50%”, avaliou ele.
“Existe uma crise institucional. Uma perseguição contra Jair Bolsonaro; a regulamentação das redes sociais, e também as questões comerciais”, pontuou.
“Eu acho até que o Trump está sendo muito cordial com o Lula, porque duas semanas atrás ele disse que receberia uma ligação de Lula. Agora, o Lula tem que ter conduta de presidenciável, tem que deixar de lado um pouco a pauta ideológica”, disse.
Quem é Eduardo Bolsonaro e porque ele está nos EUA
Residindo nos Estados Unidos desde fevereiro deste ano, Eduardo articula junto ao governo do republicano Donald Trump para que os EUA pressionem o Brasil contra o que considera abusos no processo judicial contra seu pai.
Recentemente, a Polícia Federal indiciou Eduardo e Jair Bolsonaro no inquérito que apura possíveis crimes de coação no curso do processo e obstrução de justiça. Agora, cabe à Procuradoria-Geral da República decidir se denuncia ou não Eduardo Bolsonaro nesse caso.
Para a PF, Eduardo incorreu nesses crimes ao articular sanções contra o Brasil, como a aplicação da Lei Magnitsky contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal.
Moraes é o relator do processo contra Jair Bolsonaro, no qual o ex-presidente é acusado de tentar um golpe de Estado entre o fim de 2022 e o começo de 2023, após perder as eleições presidenciais para o presidente Lula (PT).
Nesta quinta-feira, Eduardo Bolsonaro enviou um ofício ao presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), pedindo para exercer o mandato a partir dos Estados Unidos. Caso o pedido não seja aceito, Eduardo poderá perder o mandato por ausência: a Constituição prevê a perda para quem faltar a um terço ou mais das votações ao longo de um ano.
Aos 41 anos, Eduardo Bolsonaro é deputado federal desde 2015 e cumpre atualmente seu terceiro mandato. É filiado ao PL e eleito por São Paulo. Em 2018, recebeu 1,84 milhão de votos, tornando-se o candidato a deputado federal mais votado da história do país – recorde que ainda mantém, já que em 2022 a maior votação foi a de Nikolas Ferreira (1,4 milhão).
Bacharel em direito pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, Eduardo tornou-se escrivão da Polícia Federal após ser aprovado em concurso da instituição em 2010.
Durante o governo Jair Bolsonaro, o nome de Eduardo chegou a ser cogitado para a embaixada brasileira em Washington. O então presidente anunciou publicamente a escolha, aceita pelo filho, mas o governo recuou da indicação.
Eduardo Bolsonaro é o terceiro filho do primeiro casamento de Jair Bolsonaro, com Rogéria Nantes Nunes Braga. É, portanto, irmão “de pai e mãe” do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e do vereador carioca Carlos Bolsonaro (PL). Mais tarde, Jair teria ainda outros dois filhos: o vereador de Balneário Camboriú Jair Renan (PL) e Laura Bolsonaro, hoje com 14 anos.