O chanceler alemão, Friedrich Merz, afirmou nessa quinta-feira (28/8) que é “óbvio que não haverá reunião”, em um futuro próximo, entre o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, e o russo, Vladimir Putin, apesar dos esforços de Donald Trump neste sentido. Em Washington, o presidente americano disse que “não gostou”, mas “não se surpreendeu” com o ataque realizado por Moscou a Kiev na noite de quarta-feira (27/8).
“É óbvio que não haverá reunião entre Zelensky e Putin, ao contrário do que foi acordado entre os presidentes Trump e Putin”, afirmou o chanceler alemão, ao lado do presidente francês, Emmanuel Macron. Os dois realizaram uma reunião de gabinete nesta quinta-feira, na residência de verão da presidência francesa, em Bregançon, no sul da França.
Os mais recentes ataques russos em Kiev estão entre os mais pesados desde a invasão da Ucrânia, em fevereiro de 2022. Os bombardeios mataram pelo menos 19 pessoas, incluindo quatro crianças – em mais um sinal de força de Moscou, em meio a tentativas de retomar negociações diplomáticas entre os dois países em guerra.
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EUA reagem
A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, indicou nesta quinta-feira que Donald Trump “não gostou”, mas “não ficou surpreso” com a ofensiva. Ela acrescentou que o presidente dos Estados Unidos fará “declarações adicionais” sobre o conflito, que ele prometeu encerrar.
Para Trump, “talvez ambos os lados neste conflito não estejam prontos para encerrá-lo sozinhos”, acrescentou a porta-voz.
A reação do presidente americano, que se recusa a atribuir a responsabilidade pela guerra a Moscou, difere do tom de seu enviado especial para a Ucrânia, Keith Kellogg, que denunciou ataques “terríveis”.
“A Rússia lançou este ataque contra Kiev e, da mesma forma, a Ucrânia atingiu refinarias russas”, continuou Karoline Leavitt, contrastando os dois beligerantes.
O presidente republicano tem se envolvido, nas últimas semanas, em uma intensa atuação diplomática, encontrando-se primeiro com Vladimir Putin, no Alasca, e logo em seguida recebendo Volodymyr Zelensky, junto com líderes europeus, na Casa Branca. Ele então prometeu reunir os presidentes russo e ucraniano em torno da mesma mesa.
Rússia ataca navio ucraniano
Também nesta quinta, militares russos atacaram um navio de guerra ucraniano, deixando um morto, vários feridos e desaparecidos, em um tipo “raro” de ataque, anunciou o porta-voz da Marinha ucraniana.
O Ministério da Defesa russo, por sua vez, afirmou que a operação foi realizada na foz do rio Danúbio usando um drone marítimo, uma relativa novidade para as forças russas. “Confirmamos o ataque ao navio”, disse o porta-voz ucraniano, Dmytro Pletenchuk, citado pela agência de notícias Ukrinform.
“A maioria dos tripulantes está segura. A busca por vários marinheiros militares continua”, acrescentou. Ele não divulgou o local ou a data do incidente, nem o nome da embarcação.
De acordo com o Ministério da Defesa russo, tratava-se do “Simferopol”, um “navio de reconhecimento ucraniano de médio porte”. “Como resultado deste ataque, o navio ucraniano afundou”, afirmou o ministério, também sem especificar a data do incidente. O ministério divulgou imagens em preto e branco, apresentadas como sendo do ataque, mostrando um barco explodindo.