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Francesa e filho com down abandonados em aeroporto serão repatriados

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Francesa e filho com down abandonados em aeroporto serão repatriados

Uma francesa de 77 anos e o filho dela com síndrome de down, de 42, podem ser repatriados à França na segunda-feira (1º/9), como consta em mensagem do Consulado Francês obtida com exclusividade pelo Metrópoles.

A idosa e o filho neurodivergente foram abandonados pelo caçula da francesa, que rumou para a Europa no último dia 18, deixando a mãe e o irmão mais velho desamparados no Aeroporto Internacional de São Paulo, região metropolitana. Eles chegaram a dormir em bancos por duas noites.

Ao todo, a idosa e o homem com down permaneceram cinco dias nas dependências do maior aeroporto do Brasil e foram ajudados, no dia 22, após a reportagem denunciar a situação.

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Passaporte da francesa de 77 anos

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Francesa foi hospitalizada com trombose

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Passaporte do homem com síndrome de Down

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Francesa de 77 anos e filho com Down foram abandonados em aeroporto

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Mulher e filho ficaram cinco dias em aeroporto

Arquivo Pessoal

Johanna Fundula Ute Lechner e Opahlinr Yah Aiok foram encaminhados ao Hospital Geral de Guarulhos (HGG), onde permaneciam até a publicação desta reportagem. A mulher, como apurado pela reportagem, estava com uma trombose grave na perna esquerda e, o homem, severamente sujo pela ausência de higiene pessoal.

Condições para o repatriamento

O departamento de assistência social do Consulado Geral da França em São Paulo conseguiu contatar o filho que abandonou a família. Ele teria se comprometido, por escrito, em esperar a mãe e o irmão com síndrome de down no aeroporto Charles de Gaulle, em Paris.

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O homem também se comprometeu em garantir a estadia da mãe e do irmão, até que ambos sejam acolhidos por um centro humanizado na capital francesa.

Além disso, uma enfermeira já foi escalada e, juntamente com dois funcionários do consulado, irá acompanhar mãe e filho no voo. O consulado também solicitou para que a o HGG mantenha mãe e filho acolhidos até que possam embarcam de volta para casa.

O que a francesa diz

O Metrópoles divulgou em primeira mão um registro (assista abaixo) no qual a francesa explicou a situação, quando estava no terminal 3 do aeroporto, em 21/8.

Com a perna acometida pela trombose, ao lado de mochilas e sacos, ela relatou, em inglês, que, antes de vir para o Brasil, estava na Bolívia. O filho que posteriormente a abandonou no aeroporto morava no país vizinho do Brasil e, com ele, tinham passado uma temporada.

No dia que o filho mais novo foi para a França, a mulher pretendia embarcar em um voo para Moscou, na Rússia, onde afirmou que gostaria “de ir para morrer”.

O embarque dela e do outro filho, porém, foi impedido pela tripulação do voo — pelo fato de a francesa não demonstrar condições de viajar.

Hotel e consulado

Impedidos de embarcar, os franceses ficaram hospedados em um hotel, nas dependência do próprio aeroporto, por duas noites. As diárias foram custeadas pela companhia aérea.

“Depois queriam que eu pagasse a estadia, então, saímos do hotel e, agora, estamos no começo da segunda noite”, relatou a francesa.

“Eu posso ir para onde eu quiser. Eu tenho dinheiro para ir […] Acho que pagamos mais de US$ 8 mil e nós não podemos embarcar. Nós estamos esperando aqui [Guarulhos] por uma semana.”

Médico consular

A reportagem teve acesso a um parecer, feito pelo setor de assuntos sociais do Consulado Geral da França em São Paulo. No documento, é afirmado que Emirates recusou o embarque dos passageiros “devido ao estado de saúde mental” da francesa e “à ausência de um acompanhante”.

Foi recomendado, então, para que a francesa retornasse à Bolívia, onde o filho que a abandonou residia.

Ele foi procurado pelo consulado, afirmou que se mudaria para a França e ressaltou “não ter tempo, nem recursos financeiros para cuidar da mãe”.

Um médico ligado ao Consulado da França avaliou a mãe e o filho abandonados, confirmando que não poderiam seguir viagem sozinhos.

“Ele foi categórico: o estado de saúde dos viajantes não permite que façam a viagem sozinhos para a Rússia. Ele recomenda que sejam acolhidos pelos serviços sociais brasileiros, embora seja necessário encontrar uma solução que evite a separação da mãe e do filho, devido à deficiência deste último”, diz trecho do documento.

O Metrópoles apurou com funcionários que os serviços sociais da Prefeitura de Guarulhos foram procurados para ajudar os franceses, o que teria sido recusado.

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O que diz a Prefeitura de Guarulhos

A Prefeitura de Guarulhos afirmou que foi notificada pelo Hotel Fast Sleep, que fica no aeroporto, sobre a situação de possível abandono de incapaz dos franceses.

Em nota, afirmou ao Metrópoles que a Emirates, companhia aérea responsável pelo transporte da família, custeou dois dias de hospedagem, após os quais “não quis mais se comprometer de continuar os abrigando”, ressaltando os problemas de saúde da francesa.

“Por sua vez, a Prefeitura de Guarulhos está e esteve sempre presente e atuante, dialogando com todas as partes, como a Gru Airport e o Consulado da França, fazendo o seu papel humanitário. E estará acompanhando esse caso até o final. Em momento algum deixou ou vai deixar essa família desamparada.”

O que diz a GRU Airport

A concessionária que administra o aeroporto de Guarulhos afirmou que, assim que foi notificada sobre a situação de mãe e filho abandonados, “acionou os órgãos públicos competentes”.

“Eles foram encaminhados para o Posto Humanizado da Prefeitura de Guarulhos e, posteriormente, para o Hospital Geral de Guarulhos”. A GRU disse que ofereceu “todo o suporte” à passageira e ao filho dela.

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