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Governo retifica certidão de óbito de Zuzu Angel, vítima da ditadura

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Governo retifica certidão de óbito de Zuzu Angel, vítima da ditadura

A estilista Zuzu Angel foi reconhecida como vítima da ditadura militar brasileira (1964–1985) ao ter sua certidão de óbito oficialmente retificada pelo Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, nessa quinta-feira (28/8). O documento, agora, reconhece que a morte da estilista foi violenta e causada pelo Estado brasileiro, no contexto da perseguição política promovida pela ditadura.

Internacionalmente reconhecida, Zuzu usou a sua visibilidade para lutar por justiça, principalmente após o sequestro e morte de seu filho Stuart Angel Jones, militante do Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR-8).

A entrega da certidão foi feita nessa quinta, durante cerimônia na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG).

Além de Zuzu, outras 20 famílias receberam atualizações em certidões de parentes mortos ou desaparecidos durante o regime militar. O governo federal prevê entregar mais 400 certidões retificadas até o fim deste ano.

Quem teve a certidão de óbito modificada:

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Quem foi Zuzu Angel?

Nascida em Curvelo (MG) em 1923, Zuleika Angel Jones mudou-se para o Rio de Janeiro nos anos 1950 e construiu carreira de sucesso como estilista. Internacionalmente reconhecida, passou a usar sua visibilidade para lutar por justiça.

Em 14 de maio de 1971, seu filho Stuart Angel Jones, militante do Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR-8), foi sequestrado e nunca mais visto. Zuzu recebeu relatos de que Stuart havia sido preso, torturado e morto na Base Aérea do Galeão.

Foi então que a estilista passou a denunciar os crimes da ditadura no Brasil e no exterior, usando seus desfiles de moda como palanque para alertar a imprensa internacional sobre as violações da ditadura.

Entre 1975 e 1976, após receber ameaças de morte, Zuzu escreveu uma carta listando os responsáveis caso algo lhe acontecesse. “Se algo vier a acontecer comigo, se eu aparecer morta por acidente, assalto ou qualquer outro meio, terá sido obra dos mesmos assassinos do meu amado filho”.

Em 1976, morreu aos 53 anos em um acidente de carro, oficialmente atribuído a fratura craniana e laceração cervical. Investigações posteriores, incluindo análise forense em 1996 e testemunhos sobre o acidente, apontaram que outro veículo teria provocado a colisão, configurando ação deliberada.

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