O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta sexta-feira (29/8) que os funcionários da Receita Federal (RF) e da Polícia Federal (PF) devam uma “prova de patriotismo e de apreço ao país” com a megaoperação da última quinta-feira (28/8) contra o crime organizado e a lavagem de dinheiro, com participação direta do Primeiro Comando da Capital (PCC).
O ministro parabenizou os servidores e afirmou que a fiscalização é capaz de combater organizações criminosas. A declaração foi dada durante a divulgação de um estudo sobre desigualdade social e tributação no país.
Na última quinta, foram deflagradas três operações que tinham como objetivo combater fraudes e a atuação de facções criminosas nas cadeias de combustível. As operações visavam desarticular esquemas de lavagem de dinheiro, com grande impacto financeiro.
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“A estrutura criminosa operava por meio de múltiplas camadas societárias e financeiras, nas quais fundos de investimento detinham participação em outros fundos ou empresas. Essa teia complexa dificultava a identificação dos verdadeiros beneficiários e tinha como principal finalidade a blindagem patrimonial e a ocultação da origem dos recursos. Entre as estratégias utilizadas estavam transações simuladas de compra e venda de ativos — como imóveis e títulos — entre empresas do mesmo grupo, sem propósito econômico real”, afirmou o governo federal.
A operação também mirou fintechs utilizadas pelo PCC, o que demostrou como a articulação criminosa já estava instalada no maior centro financeiro do país, a avenida Faria Lima, em São Paulo.
Em nota, a RF afirmou que “fintechs têm sido utilizadas para lavagem de dinheiro nas principais operações contra o crime organizado, porque há um vácuo regulamentar, já que elas não têm as mesmas obrigações de transparência e de fornecimento de informações a que se submetem todas as instituições financeiras do Brasil há mais de 20 anos”, disse.