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    Indonésia: 80% dos tubarões-baleia têm cicatrizes causadas por humanos

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    Quase oito em cada dez tubarões-baleia observados em uma área turística da Papua Indonésia apresentavam algum tipo de cicatriz provocada por atividades humanas.

    O levantamento foi feito por pesquisadores do Elasmobranch Institute Indonesia e publicado em 27 de agosto na revista científica Frontiers in Marine Science.

    Entre 2010 e 2023, os cientistas monitoraram 268 tubarões-baleia individuais, quase todos jovens machos, identificados por meio de registros fotográficos que reconhecem o padrão único de manchas e listras em cada animal.

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    Durante esse acompanhamento, 77% dos tubarões apresentaram cicatrizes superficiais, como arranhões causados por contato com plataformas de pesca tradicionais conhecidas como bagans ou por colisões com barcos. Já 17,7% mostravam lesões graves, incluindo cortes profundos e até amputações atribuídas a hélices de embarcações.

    Os pesquisadores ressaltam que essas categorias se sobrepõem: alguns tubarões que sofreram ferimentos graves também exibiam marcas superficiais. Por isso, o dado mais alarmante é que cerca de 80% dos animais avaliados tinham algum tipo de cicatriz associada ao contato humano.

    2 imagensCicatrizes encontradas em tubarões-baleia causadas pela ação humanaFechar modal.1 de 2

    Amputações em tubarões-baleia jovens estão ligadas ao contato com hélices e estruturas de pesca

    Reprodução/Mark V. Erdmann 2 de 2

    Cicatrizes encontradas em tubarões-baleia causadas pela ação humana

    Reprodução/Mark V. Erdmann

    Esse cenário é especialmente preocupante porque o tubarão-baleia demora até 30 anos para atingir a maturidade sexual. Isso significa que lesões frequentes ou mutilações podem comprometer a sobrevivência populacional no longo prazo, já que a recuperação da espécie é extremamente lenta.

    Os autores defendem que mudanças simples poderiam reduzir os riscos para os animais, como retirar superfícies cortantes das plataformas de pesca e adotar mais cautela no tráfego de barcos turísticos.

    Sem as medidas, alertam os pesquisadores, a pressão sobre a população local de tubarões-baleia tende a aumentar e pode colocar em risco a presença desses gigantes marinhos em uma das áreas de maior biodiversidade do planeta.

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