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Juros altos: o obstáculo que impede o Brasil de crescer

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Juros altos: o obstáculo que impede o Brasil de crescer

O Brasil não pode mais aceitar ser refém dos juros altos. Não podemos ser exemplos tão equivocados como ser um único país que dentre as suas dez maiores empresas, temos cinco instituições financeiras! Esta é, hoje, a maior trava ao desenvolvimento econômico, à criação e manutenção de emprego e ao aumento da renda da população. O atual patamar da taxa básica de juros é insustentável para quem produz e injusto para o cidadão, que arca com preços mais altos e menor poder de consumo.

É inadmissível termos uma Selic de 15% ao ano, maior nível desde 2006, completamente destoante da realidade da inflação, que tem girado em torno de 0,25% ao mês. O resultado é um juro real da própria Selic, superior a 10% em 2025, quase o dobro da taxa neutra estimada pelo próprio Banco Central — um exagero que não contribui para controlar a inflação, mas que sufoca a economia. A responsabilidade da política monetária não pode se restringir a um único instrumento e mandato. Temos que ter compromisso com o déficit nominal e não apenas no primário. Esse sim, é um compromisso de nação e de futuro.

Mesmo que tenhamos que buscar maior racionalidade na política fiscal, a atual política monetária contracionista cobra um preço altíssimo. A indústria, fragilizada pelo aumento injustificável de tarifas de exportação e do inapropriado IOF, sente de forma ainda mais dura o impacto desse aperto. O setor deve desacelerar de um crescimento de 3,5% em 2024 para apenas 1,7% em 2025. A mensagem é clara: juros altos travam o investimento, desestimulam a inovação e paralisam projetos que poderiam gerar emprego e renda. Como sermos competitivos em um mercado multilateral com o nosso custo Brasil?

Não por acaso, o Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) acumula a pior sequência de queda desde a recessão de 2015 e 2016. A intenção de investir também recuou ao menor nível em quase dois anos. Sem investimento não há expansão da produção, não há novos empregos, não há aumento de renda. O círculo é perverso. E qualquer reversão demandará tempo e condições macroeconômicas favoráveis. O que não temos conseguido vislumbrar!

O único beneficiado desse cenário é o rentismo, em patamares nunca visto, que não cria riqueza nem postos de trabalho para o país. Enquanto o sistema financeiro colhe lucros extraordinários, a economia real perde fôlego e o empreendedorismo desaparece. Uma Selic de 15% é um convite à especulação financeira e um desestímulo ao trabalho e à produção.

É urgente que o Comitê de Política Monetária (Copom) inicie de forma consistente um ciclo de redução dos juros. Não há mais justificativa para adiar essa decisão. O equilíbrio fiscal precisa ser buscado com racionalidade no gasto público, e não com a penalização permanente de quem investe e produz. Já seria bem apropriado o entendimento que o setor econômico/produtivo deveria participar na composição do COPOM.

O Brasil já não pode ser apenas o “país do futuro”. Temos e devemos ocupar, de fato, um lugar de destaque no cenário internacional. Mas para isso é preciso coragem para enfrentar um grande entrave ao crescimento: os juros abusivos. Com taxas em níveis razoáveis, somadas a uma agenda de responsabilidade fiscal, de reformas estruturais envolvendo todos os poderes, de aproveitamento do potencial verde e de estímulo à tecnologia e inovação o país pode destravar investimentos, criar oportunidades e crescer de forma sustentável.

Para que possamos construir o futuro que o Brasil merece, é indispensável começar a reduzir os juros desde já, dentre outras coisas. Ou será que é melhor não mais empreender, não mais investir, não mais gerar oportunidades e aproveitar a atual irracionalidade do “rentismo”?

* Ricardo Alban é empresário e presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI)

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