A direita é má porque só defende seus interesses imediatos. A extrema-direita é muito mais porque, além dos seus, defende também os interesses do crime organizado, do qual é sócia.
Essa parceria se dá onde as transgressões ocorrem com mais facilidade e menos risco: na administração pública, por exemplo, na esfera da economia e no âmbito da política.
A Operação Carbono Oculto alcança empresários, distribuidoras de combustíveis, operadores financeiros, chefões do PCC e líderes de partidos do amplo espectro da direita.
É o que já se sabe a partir do material coletado na fase preliminar das investigações policiais. Muito mais se saberá quando analistas e peritos se debruçarem sobre documentos agora apreendidos.
Não há data marcada, sequer prevista para o término da operação. Ela poderá durar tanto ou mais do que os inquéritos comandados no Supremo Tribunal Federal pelo ministro Alexandre de Moraes.
No manuseio de uma caixa de lencinhos de papel, você puxa um e o próximo logo se oferece. É assim com os inquéritos judiciais. A não ser que se esbarre em um obstáculo intransponível.
A Operação Lava-Jato começou a definhar quando os políticos decidiram que era preciso “estancar a sangria com o Supremo e tudo”. Muitos deles já sangravam e muitos temiam vir a sangrar.
Os políticos, mas não só, sabem o que fizeram no verão passado e nos verões anteriores. Daí a tentativa, por ora fracassada, de aprovar o Pacote da Impunidade que os blindaria.
Em janeiro último, uma norma da Receita Federal passou a exigir das fintechs e de parentes delas informações sobre operações dos seus clientes, o que era obrigação dos bancos. O que aconteceu?
A propaganda mentirosa dos vários tons da direita, especialmente da bolsonarista, derrubou a norma disparando fake news. Foi um alívio para o crime organizado e seus sócios encobertos
Uma das fakes, de autoria do deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), sugeriu que o governo taxaria o Pix no futuro. Ela atingiu mais de 100 milhões de visualizações em poucas semanas.
Impressões digitais da direita estão no combate ao Covid-19 à base de drogas que não funcionavam, no atraso à compra de vacinas e nos golpes de dezembro de 2022 e de janeiro de 2023.
Digitais com a mesma origem serão encontradas em abundância no escândalo das fintechs geridas pelo crime organizado.