A militar Maria Luiza da Silva, primeira mulher transexual reconhecida na história das Forças Armadas, receberá, nesta sexta-feira (29/8), título de Cidadã Honorária de Brasília, na Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF).
A honraria, proposta pelo deputado distrital Fábio Felix (Psol) e aprovada no Plenário da Casa, reconhece a coragem de Maria e a contribuição dela na defesa dos direitos humanos.
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Natural de Ceres, município de Goiás, e residente no Cruzeiro, Maria Luiza da Silva ingressou nas Força Aérea Brasileira (FAB) aos 17 anos, em 1979. Lá, estudou e se formou em mecânica de aeronaves.
Ao longo de 22 anos, Maria Luiza teve uma carreira exemplar na FAB, recebendo diversas medalhas e diplomas como forma de reconhecimento.
No entanto, sua vida tomou um novo rumo em 1998, quando decidiu comunicar à FAB sua identidade de gênero, deixando claro que desejava continuar suas atividades militares. Maria Luiza não foi aceita e enfrentou, durante dois anos, discriminação, isolamento e violência.
Em 2000, mesmo com laudos médicos que atestavam sua capacidade de trabalho e prescreviam tratamento hormonal, a junta médica da FAB a considerou “incapaz” e decretou sua reforma compulsória.
Por ter sido aposentada compulsoriamente ainda como cabo, Maria Luiza não teve a chance de subir de patente e receber promoções. Sem aceitar a decisão, a ex-militar iniciou uma longa batalha judicial.
A luta de Maria Luiza se tornou um marco histórico. Ainda em 2000, ela se tornou a primeira militar transexual a ter sua identidade de gênero reconhecida pela Justiça. A decisão abriu um precedente crucial para a discussão sobre os direitos de pessoas trans no país.
A batalha legal contra a FAB durou mais de duas décadas e chegou ao Superior Tribunal de Justiça (STJ). Em 2024, o STJ manteve seu direito à aposentadoria por invalidez, assegurando seus direitos e reconhecendo sua condição.
Além de sua jornada pessoal, Maria Luiza se tornou uma voz ativa contra a transfobia e uma fonte de inspiração para a comunidade LGBTQIA+.