O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a defender as negociações com os Estados Unidos para reverter as tarifas impostas pelo chefe da Casa Branca, Donald Trump, a exportações brasileiras. Ele lamentou, no entanto, que o governo norte-americano não tem demonstrado interesse em conversar.
Em entrevista à Rádio Itatiaia, nesta sexta-feira (29/8), o petista também justificou a autorização dada para que o governo brasileiro inicie o processo para aplicar ações contra os americanos com base na Lei de Reciprocidade.
“Eu não tenho pressa de fazer qualquer coisa com a reciprocidade contra os Estados Unidos. Tomei a medida porque nós temos que andar o processo. Se você for tentar andar na forma que todas as leis exigem, o comportamento da Organização Mundial do Comércio (OMC), o comportamento das regras, você vai demorar um ano”, explicou o presidente sobre a decisão de iniciar as consultas.
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Lula ressaltou que o governo americano tem dado sinais de que não quer negociar. Ele citou o telefonema entre o ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT) e o secretário de Tesouro dos EUA, Scott Bessent, que acabou cancelado por iniciativa do americano. No mesmo dia, o americano teve uma reunião com o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP). Apesar das negativas, o chefe do Planalto afirmou que segue disposto a negociar.
“Eles não estão dispostos a negociar. Se o Trump quiser negociar, o Lulinha paz e amor está de volta. Eu não quero guerra com os Estados Unidos. Quero negociar, quero a verdade em cima da mesa, e eu quero que seja justo”, frisou.
Sobre um possível encontro com Trump no próximo mês, quando Lula estará nos Estados Unidos para participar da Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU), o petista afirmou que “vai depender” do presidente americano.
“Se o Trump quiser conversar, ou qualquer pessoa de relevância no governo americano quiser negociar sério com o Brasil, nós estaremos dispostos a negociar 24 horas por dia”, destacou.