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SP: quase 9 em cada 10 violências contra a mulher são casos de estupro

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SP: quase 9 em cada 10 violências contra a mulher são casos de estupro

De 10 casos de violência contra a mulher no estado de São Paulo, quase nove são de episódios de estupro. O dado, que se refere a ocorrências registradas entre janeiro e junho deste ano, está no Mapa Nacional da Violência de Gênero, divulgado pelo Senado Federal, nessa terça-feira (26/8).

Ao todo, de acordo com o levantamento, 7.597 mulheres sofreram algum tipo de violência nos primeiros seis meses do ano. Os episódios de estupro representam 88,4% das ocorrências: são 6.717 casos de estupro, sendo 37 por dia, ou um a cada uma hora e meia.

Os demais 880 casos de violência contra a mulher se referem à tentativas de homicídio (655), feminicídio (128), homicídio doloso (90) e lesão corporal seguida de morte (7). A mesma pesquisa também indicou a ocorrência de 187 estupros por dia em todo o país, que vitimam principalmente mulheres (85%).

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Dignidade sexual como alvo

As estatísticas mostram que, em casos de violência, a mulher é vitimada principalmente em sua dignidade sexual. Para a advogada e presidente da Comissão das Mulheres Advogadas da Ordem dos Advogados do Brasil de São Paulo (OAB-SP), Maíra Recchia, as estatísticas apontam para uma vulnerabilidade que existe em diversos aspectos.

“O cerne da questão é sempre a ausência de consentimento. Se deriva daí que as nossas vontades não são respeitadas, o nosso corpo não é respeitado e a nossa voz não é ouvida. Então, infelizmente, esse número assombroso e acachapante do quanto as mulheres estão vulneráveis e o quanto esses delitos vêm dessa invasão, digamos assim, sexual, demonstra que, no contexto todo, as mulheres não são respeitadas sob nenhum aspecto”, disse.

Naturalização da violência

Junho é o mês com menos casos (960), enquanto que março teve mais ocorrências (1.274). A média mensal é de 1.119,5 estupros a cada 30 dias. Para Raquel Gallinati, presidente da Associação dos Delegados de Polícia do Brasil (Adepol), este é um cenário que não muda, representando “uma constância trágica na nossa sociedade”.

“A gente percebe que essa estabilidade estatística não é um controle, é a naturalização do que deveria ser inaceitável, é a normalização do inaceitável. É como se a gente estivesse aceitando como realidade fática, como se fosse natural. Então se a curva não cresce, ela não recua, porque é como se a gente estivesse atingindo o patamar de tolerância de violência contra a mulher”, destacou a delegada.

Violência contra a mulher em números

 

 

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