O crime organizado usa todo tipo de artifício para transportar cocaína pelos rios amazônicos em segurança, para diminuir o risco de flagrante. Entre as estratégias adotadas, traficantes se aproveitam dos carregamentos de pirarucu, uma das iguarias da região, para despistar cães farejadores e conseguir atingir o destino.
Depois que se retira as vísceras, o pirarucu é disposto em lâminas ou mantas, entre camadas de gelo. A cocaína viaja sob o carregamento, o que dificulta o farejamento dos cães treinados pela Polícia Militar. Dessa maneira, o tráfico consegue escoar a produção de cocaína pelos rios amazônicos.
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Barco cruza o Rio Javari, no Amazonas
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PM pilotando barco no Rio Solimões, em Tabatinga (AM)
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Militares em Benjamin Constant (AM), no Rio Javari
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Pichações em área de atuação do Comando Vermelho, em Letícia, na Colômbia
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Embarcação no Rio Javari, no Amazonas
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Porto de Benjamin Constant, no Amazonas
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Embarcação em rio da Amazônia
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Porto de Benjamin Constant, no Amazonas
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Embarcação no Rio Javari, em Benjamin Constant
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Porto de Benjamin Constant, no Amazonas
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Embarcação em rio amazônico
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Imagem mostra embarcação em Tabatinga (AM)
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Embarcação no Rio Javari
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Serraria na margem peruana do Rio Javari
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orto de Benjamin Constant, no Amazonas
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Porto de Benjamin Constant, no Amazonas
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Barco no Rio Javari, no Amazonas
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Barco ambulância no Rio Javari, no Amazonas
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Tenente-coronel Castro Alves, em embarcação no Rio Javari
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Pistola de policial no Rio Javari, no Amazonas
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Arco-íris sobre o Rio Javari, em Atalaia do Norte
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Embarcação no Rio Javari, em Atalaia do Norte (AM)
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Indígena ferido por ferrão de arraia em Atalaia do Norte (AM)
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Índigena sendo socorrido em Atalaia do Norte (AM)
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Rua do porto em Atalaia do Norte (AM)
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Pescador mostra piranha no mercado municipal, em Atalaia do Norte (AM)
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Quadro de distâncias e tempo de viagem em barco rápido na Prefeitura de Atalaia do Norte (AM)
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Garrafas com gasolina à venda, em Atalaia do Norte (AM)
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Barco da PM no Rio Javari, no Amazonas
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Cemitério em Atalaia do Norte (AM)
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Fachada de igreja em Atalaia do Norte, no Amazonas
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Esculturas de peixes em Atalaia do Norte, no Amazonas
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Letreiro em Atalaia do Norte, no Amazonas
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Garrafas com gasolina à venda, em Atalaia do Norte (AM)
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Família em moto em Atalaia do Norte (AM)
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Casa de apostas em Atalaia do Norte (AM)
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Tuc-tuc em Letícia, na Colômbia
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Fronteira entre Brasil e Colômbia
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Fronteira entre Brasil e Colômbia
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Pichações em área de atuação do Comando Vermelho, em Letícia, na Colômbia
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Policial colombiano diante de porto em Letícia, na Colômbia, com vista para a ilha de Santa Rosa, no Peru
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Pichações em área de atuação do Comando Vermelho, em Letícia, na Colômbia
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Fronteira entre Tabatinga (BRA) e Letícia (COL)
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Policiais militares e cães farejadores em Tabatinga (AM)
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Presídio em Tabatinga, no Amazonas
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Divisa entre Tabatinga (BRA) e Letícia (COL)
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Humberto Freire, da PF, em Manaus
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Teatro Amazonas, em Manaus
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Mario Sarrubo
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Porto em Manaus, no Amazonas
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Pichação do Comando Vermelho em Manaus, no Amazonas
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Na Amazônia, a pesca ilegal e outros crimes ambientais caminham lado a lado com o tráfico de drogas, até por usarem as mesmas rotas logísticas, que são os rios da região.
Em espigas de milho, carregamentos de cebola ou banana, dentro de tanques de combustível ou de ar condicionado. Tudo serve como disfarce para a cocaína que cruza o Norte do país. Um dos métodos mais eficazes para se “muquiar” a droga é sob os seixos (pedras de rio), dentro de embarcações.
Barcos com fundos falsos ou até mesmo com compartimentos sob os cascos também são usados pelo crime.
Outra estratégia dos criminosos é traficar cocaína dentro dos botijões de gás, que cruzam o Rio Solimões em cima de grandes embarcações para abastecer cidades inteiras e até mesmo as comunidades ribeirinhas.
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Em uma dessas situações, policiais receberam a informação de que determinado barco trazia consigo cocaína em parte dos botijões. Depois de usarem um cão farejador, conseguiram encontrar a droga. Curiosamente, ao apertar a válvula, saía gás. A cocaína estava somente na parte inferior.
A carga foi escoltada até Manaus, onde 200 alunos do curso de formação da PM retiraram todos os botijões. A carga foi levada até uma empresa que, em segurança, separou a cocaína. Era um carregamento de uma tonelada.
Convergência
Secretária Nacional de Políticas sobre Drogas (Senad), Marta Machado afirmou durante o Encontro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), em Manaus (AM), que o crime organizado fez com que o órgão do governo federal recuasse diante da possibilidade de apoiar a iniciativas relacionadas ao pirarucu.
“A gente até iria trabalhar com incentivo à cadeia do pirarucu. Mas a gente deu um passo atrás justamente pela vulnerabilidade das pessoas que estavam ali e tinham, inclusive, medo de se envolver por conta do crime organizado”, afirma. É frequente a cooptação de ribeirinhos e indígenas pelos traficantes.
Marta diz que o pirarucu tem uma forte convergência com o tráfico. “Tem vários casos do peixe sendo transportado com a droga dentro. É um cenário muito complicado de convergência de crimes. Crimes ambiental, garimpo, desmatamento, tráfico de fauna com narcotráfico” afirma.
Segundo a secretária, os caminhos usados para escoar a produção do peixe são também compartilhados por narcotraficantes.
