Conforme um estudo publicado na revista Nature, 1/4 da população mundial tem esteatose hepática (condição popularmente conhecida como gordura no fígado). A América do Sul e o Oriente Médio lideram o ranking das regiões com maior número de pessoas com o quadro. A coluna Claudia Meireles requisitou o médico Rodrigo Bastos para saber qual hábito tende a piorar a doença.
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De acordo com o gastroenterologista e hepatologista, a alimentação tem um “papel central no desenvolvimento e agravamento da gordura no fígado”. “O consumo excessivo de alimentos de alta densidade calórica e elevada carga glicêmica, como pães, doces e frituras, tende a agravar o quadro”, defende.
O fígado é o segundo órgão mais importante do corpo
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Visão microscópica de células em fígado com esteatose hepática
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O especialista explica que a ingestão exagerada dessas opções de alimentos acentua a condição não somente pelo aumento da gordura em si, mas porque o teor já depositado no fígado pode levar à inflamação do órgão. “Nós chamamos isso de esteato-hepatite”, esclarece.
“Essa inflamação, com o passar do tempo, leva o fígado a ficar menos saudável, com perda da capacidade de se regenerar e ganho da tendência em cicatrizar. Essa cicatriz, a qual tem o nome de fibrose, está diretamente ligada ao risco de desenvolver cirrose e câncer no órgão”, acrescenta Rodrigo.
O médico salienta que a gordura não fica apenas depositada no órgão, pertencente ao sistema digestório e responsável por filtrar o sangue, desintoxicar o corpo ao eliminar substâncias nocivas, a exemplo de toxinas.
“O mesmo processo que leva a um fígado gorduroso pode levar ao acometimento de outros órgãos. O paciente com gordura no fígado tem mais chance de infartar, apresentar problemas nos rins e até de desenvolver câncer, dentro ou fora do fígado”, reitera o gastroenterologista.
Mais hábitos
Segundo Rodrigo Bastos, o sedentarismo também influencia bastante a piora do quadro de gordura no fígado: “Em geral, quem não pratica atividade física tem menor massa muscular e, com isso, baixo metabolismo. Em outras palavras, o corpo gasta pouca energia”. O hepatologista explicita com uma “matemática simples”.
“Se o gasto é pequeno, há maior chance de superávit energético e esse excesso de energia — ou calorias — é acumulado no corpo por meio de depósitos de gordura, que podem se alojar em diversos locais, entre eles, o fígado”, complementa. O médico cita o consumo exagerado de bebidas alcoólicas como hábito com potencial de agravar a esteatose hepática.
“Por si só, as bebidas alcoólicas dispõem de alto teor calórico, mas o álcool causa toxicidade ao fígado, que responde desenvolvendo uma ‘capa de gordura’”, ressalta o especialista. Ele recorda que, por um período, os pacientes com a condição eram divididos entre doença hepática gordurosa alcoólica e não alcoólica.
“Atualmente, entendemos que esses processos andam muitas vezes juntos e contribuem sinergicamente para o adoecimento do órgão”, argumenta Rodrigo. O médico acrescenta sobre o vírus de hepatite e comorbidades, em especial a diabetes, causarem a gordura no fígado, além de condições raras, como doenças autoimunes e de cunho genético.
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