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Festival Curicaca: a revolução feminina nas deep techs brasileiras

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Festival Curicaca: a revolução feminina nas deep techs brasileiras

Nos últimos anos, o protagonismo feminino na ciência e na tecnologia tem ganhado força no Brasil, especialmente em áreas historicamente dominadas por homens, como as deep techs, definidas como empresas que desenvolvem soluções baseadas em descobertas científicas e avanços tecnológicos profundos.

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Essas startups estão transformando indústrias inteiras, da biotecnologia à inteligência artificial, e as mulheres brasileiras têm se destacado na linha de frente dessa revolução.

Por isso, Luana Raposo, CEO e cofundadora da ImunoTera; Luisa Lopes, business developer da Biolinker; e Fabiana Raulino, fundadora da TrampoLEAN; discutiram a temática neste sábado (11/10), último dia do Festival Curicaca.

“Eu costumo dizer que me sinto bebendo do suco da inovação brasileira”, afirmou Luisa. Cercada por mentes brilhantes nas universidades, ela enxerga de perto o impacto da ciência nacional se transformando em soluções concretas e destaca o papel das mulheres no empreendedorismo acadêmico.

“Temos visto cada vez mais mulheres liderando áreas estratégicas, mesmo em um ambiente ainda muito masculino e excludente. Já participei de eventos em que eu era a única mulher presente. Por isso, precisamos continuar ocupando esses espaços.”

Luisa Lopes, business developer da Biolinker

Para Fabiana, os avanços científicos liderados por mulheres têm impacto direto na vida das pessoas. “Muitas mulheres estão se salvando por causa de pesquisas como as que envolvem o HPV. Além de desenvolver soluções, essas cientistas estão ensinando outras a criarem projetos ainda maiores.”

Já Luana ressalta os desafios de transformar ciência em negócio, como fundar uma empresa que foi um processo repleto de obstáculos.

“O empreendedorismo, por si só, já é desafiador. Mas, quando envolve o desenvolvimento de produtos baseados em pesquisa científica, o caminho é ainda mais longo e exige anos de estudos e investimento.”

Luana Raposo, CEO e cofundadora da ImunoTera

A empresa dela nasceu dentro da USP, a partir de uma pesquisa com grande potencial de impacto.

“Tínhamos uma missão, porque sabíamos que o produto que desenvolvemos era essencial. Foi isso que nos motivou a transformar a pesquisa em uma solução real para a sociedade. Também é importante se conectar com pessoas de diferentes habilidades”, ponderou.

Como transformar pesquisa científica em deep techs

Para Luisa, investir em pesquisa é essencial para o avanço tecnológico do país, mas o cenário ainda é limitado.

“Hoje, 3% do nosso PIB é direcionado para as bets”, afirma.

Ela destaca que o desafio vai além do financiamento: envolve também a forma como o pesquisador brasileiro encara o empreendedorismo, uma vez que é difícil sair da academia com uma mentalidade voltada para o mercado. “Essa transição exige preparo e apoio”, garantiu.

Segundo ela, há ainda uma lacuna importante na formação de cientistas que buscam transformar descobertas em negócios e citou o problema estrutural.

De acordo com ela, muitos pesquisadores não sabem elaborar um projeto voltado para investimento. Eles dominam a escrita de projetos científicos, mas não de propostas que atraem investidores.

“É uma falha do nosso ecossistema de inovação, que ainda precisa aprender a conectar ciência e mercado”, certificou.

Painel abordou os desafios das mulheres no setor de deep techs

Desafios

A trajetória de mulheres nas deep techs brasileiras é marcada por conquistas, mas também por desafios que vão além da pesquisa. Luana Raposo, fundadora da Imunotera, relembra um momento decisivo quando em 2020, durante o Prêmio Mulheres Inovadoras, a empresa quase fechou as portas.

“No meu primeiro pitch, tive meia hora para apresentar e acabei fazendo algo parecido com uma defesa de tese de doutorado. A banca não era da área da saúde — e isso dificultou a compreensão do nosso projeto”, contou.

Ela aponta uma das grandes fragilidades do ecossistema brasileiro de inovação: a falta de investidores com conhecimento técnico.

“Nos Estados Unidos é diferente. Já fiz várias apresentações lá e percebo que os investidores entendem o que você está fazendo e sabem avaliar se há futuro ou não. Aqui, ainda falta essa expertise”, apontou.

Para Fabiana, as barreiras também são culturais. “As verdades difíceis quase ninguém fala, especialmente para nós, mulheres. Precisamos ouvir essas verdades para evoluir, porque colocamos muito do nosso toque pessoal nas pesquisas. E estamos em um país que ainda enfrenta desafios culturais profundos.”

Luisa reforça que incentivar mulheres na ciência é uma questão que começa na base, visto que é necessário estimular a cultura científica desde cedo. Ainda há muitos preconceitos, como o estereótipo de que mulheres loiras têm menos QI.

“É fundamental reconhecer e dar visibilidade às mulheres que estão fazendo ciência e inovação, para inspirar outras a seguirem esse caminho”, reforçou.

Festival Curicaca encanta

Pela primeira vez no Festival Curicaca, a servidora pública federal Tatiana Silva, moradora de Brasília há 15 anos, aproveitou o sábado para acompanhar o marido — filósofo e doutorando em Filosofia — que participava de uma atividade que abordava a importância da filosofia nas escolas.

Encantada com a estrutura e a diversidade de atrações, Tatiana destacou a amplitude do evento.

“Achei bem interessante, é muito amplo, com muitos estandes e atividades simultâneas. Vi muitos estudantes participando, o que é ótimo. O pessoal comentou que os dias anteriores foram ainda mais intensos, com muita movimentação”, relatou.

A servidora também elogiou a presença de instituições de ensino de diferentes regiões do país.

“Há oficinas com estudantes mostrando o que estão desenvolvendo. Fiquei super curiosa e animada para explorar mais o espaço. É uma grande realização, que precisa ser cada vez mais divulgada”, afirmou.

Tatiana Silva foi aproveitar a manhã de sábado no Festival Curicaca

Para Tatiana, o festival cumpre um papel importante ao aproximar o público da produção científica e tecnológica feita nas universidades e institutos federais.

“É essencial que não apenas estudantes, mas também gestores públicos conheçam o que está sendo produzido nas instituições de ensino. Isso amplia as possibilidades de colaboração e dá mais visibilidade a essas iniciativas”, destacou.

Ela garante que agora será uma divulgadora do festival. “Quem não veio, precisa conhecer nas próximas edições. É um evento muito vivo, com essa troca entre profissionais, pesquisadores e estudantes de todo o país.”

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