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    Bolsa sem freio? Ibovespa tem mês de recordes e já mira 160 mil pontos

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    O mês de novembro foi marcado por uma série de recordes de pontuação do Ibovespa, principal indicador de desempenho das ações negociadas na Bolsa de Valores do Brasil (B3). No último pregão do mês, nessa sexta-feira (28/11), o índice fechou a sessão em alta de 0,45%, aos 159.072,13 pontos, o novo recorde histórico de fechamento.

    Ainda no pregão de sexta-feira, o Ibovespa cravou também sua máxima histórica intradiária (durante a sessão), aos 159.689,03 pontos. Foi a primeira vez que o principal índice da B3 ultrapassou a marca dos 159 mil pontos, já mirando os 160 mil.

    Em novembro, o Ibovespa acumulou ganhos de 6,37%, o que representou o melhor desempenho da Bolsa brasileira desde agosto do ano passado (+6,54%). No acumulado do ano até aqui, o indicador registra valorização de 32,25%.

    Por que a Bolsa vem disparando

    Segundo analistas do mercado, os sucessivos recordes históricos do Ibovespa têm sido puxados, entre outros motivos, pelo fluxo expressivo de capital estrangeiro – que acumulou cerca de R$ 30 bilhões no ano, de acordo com estimativas da Genial Investimentos. As projeções iniciais indicavam um fluxo de R$ 28 bilhões.

    A alocação estrangeira na Bolsa de Valores do Brasil chegou ao percentual de 58%, maior nível dos últimos meses. Nas últimas semanas de novembro, cerca de US$ 4,2 bilhões entraram em fundos de mercados emergentes. No acumulado dos 11 primeiros meses de 2025, a Bolsa do Brasil registrou alta de 50%, em dólares.

    Segundo Felipe Cima, analista da Manchester Investimentos, “os ativos de risco tiveram um 2025 muito favorável por aqui no decorrer do ano”. “A partir de agora, espera-se que as casas comecem a rever os preços de Ibovespa. E muita gente começa a colocar esse patamar entre 180 mil e 200 mil pontos para o ano que vem”, observa.

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    “Isso acontece por vários motivos, mas o principal deles é que a Bolsa seguiria sendo um ativo que poderia trazer para os investidores retornos acima do CDI ao longo do ano que vem. No Brasil, com o dólar desvalorizando e a taxa de juros para baixo, o que faltaria seria o déficit público diminuir”, explica Cima.

    O CDI (Certificado de Depósito Interbancário) é uma taxa de juros que reflete a média dos empréstimos de curtíssimo prazo feitos entre os bancos para que eles possam equilibrar seus caixas. Em linhas gerais, a taxa serve como referência para o rendimento de diversos investimentos de renda fixa, como CDBs, LCIs e LCAs – e acompanha de perto a taxa básica de juros da economia brasileira (Selic).

    “Com esses três fatores, você conseguiria aumentar o retorno real dos ativos. Dessa forma, dois dos três fatores já estão apresentados e há uma grande expectativa de que o terceiro possa surgir com o ciclo eleitoral do ano que vem. Com isso, o otimismo com os ativos brasileiros pode tomar um grande ímpeto global”, completa.

    De acordo com relatório de analistas da Genial Investimentos, “há potencial enorme de alocação para ações da região após anos de fluxo negativo e performance relativa pior, movimentos que costumam ser cíclicos e reverterem à média no longo prazo”.

    Corte de juros nos Estados Unidos

    Segundo analistas do mercado, o início do ciclo de corte de juros promovido pelo Federal Reserve (Fed, o Banco Central dos Estados Unidos), a partir de outubro, também influenciou o comportamento dos investidores.

    “Mais importante do que o próprio Fed é o pano de fundo em que esse movimento ocorre: o mundo vive hoje um dos maiores ciclos de cortes de juros sincronizados das últimas décadas”, afirma a Genial.

    “Historicamente, ciclos de cortes de juros costumam acontecer em ambientes de desaceleração econômica ou recessão. Cortar juros com crescimento econômico e lucros subindo é a exceção, não a regra. Essa combinação cria um ambiente extremamente favorável para os ativos de risco ao redor do mundo.”

    Atualmente, a taxa de juros nos EUA está no intervalo entre 3,75% e 4% ao ano, depois de dois cortes seguidos de 0,25 ponto percentual. A próxima reunião do Fed para definir a taxa de juros, a última do ano, está marcada para os dias 9 e 10 de dezembro.

    De acordo com a ferramenta FedWatch, do CME Group, a probabilidade de um novo corte de 0,25 ponto percentual nos juros dos EUA é de 86,4%. Por outro lado, 13,6% dos investidores apostam na manutenção do patamar atual.

    No Brasil, o mercado também espera o início dos cortes da taxa básica de juros (Selic) para o início de 2026 – a dúvida é se ele ocorrerá na reunião de janeiro do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) ou apenas em março.

    Na última reunião do Copom, no início do mês, a autoridade monetária manteve os juros inalterados, em 15% ao ano. O Brasil tem a quarta maior taxa nominal de juros do mundo e é o vice-líder no ranking global dos juros reais (a taxa nominal descontada a inflação).