Em meio a um período de seca em São Paulo, o Sistema Cantareira, principal reservatório de abastecimento de água do estado, registrou, nessa sexta-feira (28/11), o menor nível em quase 10 anos. Com apenas 21,3% do volume total disponível, o Cantareira é responsável por abastecer, aproximadamente, 46% da população da Grande São Paulo.
O nível do reservatório é o menor desde 23 de fevereiro de 2016, quando o sistema registrou nível de 21,4%. Sem expectativa de chuva para os últimos dias de novembro, o mês é o 10° seguido com precipitações abaixo da média esperada.
SP anuncia medidas contra crise hídrica
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Sistema Cantareira, responsável por abastecer a Grande SP
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No início do ano, o Cantareira contava com 60% do volume total disponível — valor alcançado pelas chuvas do final de dezembro de 2024 e de janeiro deste ano. No entanto, do dia 3 de março até agora, o nível do sistema caiu 38,7%.
Diante desse cenário, a Sabesp adota desde 27 de agosto a redução da pressão da água no período noturno, para reduzir perdas por vazamentos, que acontecem principalmente durante a madrugada. De acordo com a companhia, a medida está sendo aplicada das 19h às 5h, em toda a região metropolitana. A ação é preventiva, com o objetivo de preservar os reservatórios que abastecem a região.
Falta de chuva preocupa
Em entrevista ao Metrópoles, o professor Antonio Carlos Zuffo, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), afirmou que o volume baixo é normal para a época do ano. Ele acrescentou, contudo, que o nível crítico e a falta de chuva na primavera preocupam.
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A estação, junto com o verão, compõem o período mais chuvoso do ano. Porém, já próxima do fim, a primavera não registrou precipitação suficiente para conter a queda do reservatório.
Para reverter a situação, o professor explica que as chuvas de verão são fundamentais. Segundo ele, a estação precisa recuperar pelo menos 20% do nível do reservatório para evitar riscos para o ano que vem.
“Não sabemos o quanto vai chover. Se chover bem, ele [o reservatório] recupera mais de 15%. A preocupação é se essa recuperação for tímida após as chuvas, porque só volta a chover no começo de outubro do ano que vem”, explicou.
Riscos para 2026
Questionado sobre as preocupações para o verão, Zuffo acredita que, caso o nível de água do Sistema Cantareira não volte a subir, o próximo ano pode registrar volumes ainda mais críticos. Para ele, o abastecimento de água na região metropolitana pode ser afetado drasticamente em caso de piora do quadro.
O professor enxerga a redução de pressão da água como uma “gestão de perdas”, que pode ser ampliada para o ano que vem. Se o volume disponível do Cantareira seguir caindo, a Sabesp pode tomar novas medidas.
Veja quais são elas:
- Descontos na conta d’água para clientes que economizarem gastos.
- Aumentos de restrição de uso.
- Multas em caso de uso exagerado.
- Racionamento de água.
A situação dos reservatórios e dos recursos hídricos do estado é acompanhada de forma contínua pela Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo (Arsesp).
“O atual cenário exige atenção e é conduzido com base em protocolos técnicos e preventivos estabelecidos no Plano Estadual de Segurança Hídrica”, argumenta o órgão.
