Levei um grande susto quando li no Metrópoles, em meio da tarde de ontem, que Bolsonaro estava com uma nova crise de soluço que já durava 23 horas. E que também apresentava um quadro de vômito, seguido de broncoaspiração, que resulta em falta de ar e pode persistir de 15 segundos a 1 minuto. Isso é perigoso.
Broncoaspiração é a inalação acidental de substâncias como saliva, líquidos, vômito ou alimentos nas vias aéreas inferiores, que em vez de serem engolidas, entram nos pulmões. Tal condição pode levar a complicações sérias como pneumonia, configurando uma emergência médica. É comum em crianças e idosos.
Mais cedo, em publicação no X, o vereador pelo Rio Carlos Bolsonaro já havia demonstrado sua preocupação com o estado de saúde do pai. De acordo com Carlos, Bolsonaro dormiu mal da quinta para a sexta-feira, e seu estado de saúde poderia se agravar. Noutra publicação, Carlos pintou um quadro dramático
“Mais uma noite torturante, mais uma madrugada sem descanso – e cada hora assim corrói o psicológico e o físico de qualquer ser humano. Nada disso é acidental. Tudo é calculado, tudo tem um propósito: matar Jair Bolsonaro e ferir profundamente todos que lutam de algum jeito para amparar meu pai. Nós já somos obrigados a suportar essa tortura há tanto tempo… imagine, então, o que vive o último presidente do Brasil”.
A Carlos, no início da noite, juntou-se Flávio Bolsonaro, o senador, que em vídeo postado nas redes sociais convocou os devotos do pai para uma vigília de orações a partir deste sábado:
“Nesse primeiro momento a gente vai buscar o Senhor dos exércitos. Eu te convido para uma vigília que começa neste sábado. Vamos pedir a Deus que aplique a sua justiça […]. E com a sua força, a força do povo, a gente vai reagir e resgatar o Brasil desse cativeiro que ele se encontra hoje.”
Não é o Brasil que vive em cativeiro, é o pai de Flávio, em prisão domiciliar desde agosto e à espera do início de cumprimento em regime fechado da pena de 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado, abolição violenta do Estado de Direito Democrático, organização criminosa e outras coisitas.
Os advogados de Bolsonaro pediram ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, para que ele cumpra a pena em casa. Porque “a alteração da prisão domiciliar hoje já cumprida pelo peticionário terá graves consequências e representa risco à sua vida”. Nada, portanto, de Papuda ou Papudinha.
A Defensoria Pública do Distrito Federal alega que o Centro de Internamento e Reeducação (CIR), localizado no Complexo Penitenciário da Papuda, não possui condições de abrigar presos que tenham mais de 60 anos de idade. Bolsonaro tem 70 anos. Entre os problemas identificados pela Defensoria estão:
+ irregularidades na alimentação fornecida;
+ falta de materiais básicos de higiene e de ventilação;
+ e demora na prestação de atendimento médico às pessoas doentes.
Convenhamos: a ser assim, todos os presos com mais de 60 anos deveriam ser transferidos do CIR para outras dependências do Complexo Penitenciário da Papuda, a salvo de tais problemas. O que os distingue de Bolsonaro? São presos comuns. A diferença é que Bolsonaro tem quem apele por si, e eles não.
Só diminuiu o meu susto com a crise de soluço sofrida por Bolsonaro há mais de 23 horas quando o vi, sorridente, em uma foto, ao recepcionar em sua casa o deputado Nikolas Ferreira, também na tarde de ontem. Nikolas saiu de lá dizendo que os dois conversaram por um bom tempo e que ele o presenteou com doces.
É admirável o estoicismo de Bolsonaro. É ou não é?
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