Neste sábado (29/11), completa-se uma semana desde que Jair Bolsonaro (PL) foi preso na Superintendência da Polícia Federal. A detenção ocorreu após a violação da tornozeleira eletrônica, o que levou à decretação da prisão preventiva. Dias depois, o caso avançou para o trânsito em julgado da condenação por tentativa de golpe de Estado.
Bolsonaro estava em prisão domiciliar desde 4 de agosto, por descumprir medidas cautelares impostas pela Justiça. Em 11 de setembro, foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) pela tentativa de impedir a posse de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) após as eleições de 2022.
Leia também
-
Carlos lista doenças de Bolsonaro após PGR pedir domiciliar de Heleno
-
Bolsonaro: defesa pede autorização para 3 pessoas levarem comida à PF
-
Filhos de Bolsonaro querem anistia ampla, mas aliados são pessimistas
-
Após prisão, PL suspende salário e atividades partidárias de Bolsonaro
De acordo com as investigações da Polícia Federal (PF), Bolsonaro liderou a articulação para barrar a posse do presidente eleito e coordenou etapas centrais do plano. A punição aplicada foi a maior entre todos os réus: 27 anos e 3 meses de prisão.
Na última semana, o ex-presidente foi primeiro preso preventivamente e, em seguida, teve a prisão definitiva decretada.
A seguir, relembre os principais fatos da semana de Bolsonaro:
A prisão preventiva
No último sábado (22/11), o ministro do STF Alexandre de Moraes decretou a prisão preventiva de Jair Bolsonaro, considerando que havia risco concreto de fuga.
O ex-presidente havia violado a tornozeleira eletrônica na noite anterior, o que motivou a prisão preventiva. Uma vigília convocada para a portaria do condomínio de Jair, pelo filho, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), e a proximidade da casa com o Setor de embaixadas também foram citadas por Moraes como motivos que ensejaram a preventiva.
Questionado sobre a tornozeleira, Bolsonaro alegou a uma agente da PF que usou um ferro de solda por “curiosidade”.
No mesmo dia, o ex-presidente foi preso preventivamente pela Polícia Federal (PF). Agentes o detiveram na casa dele, em um condomínio no Jardim Botânico, bairro nobre de Brasília, e o levaram para a Superintendência da Polícia Federal, onde permanece preso.
A sala na Superintendência da PF, onde Bolsonaro está detido desde o dia 22, possui televisão, frigobar, ar-condicionado e banheiro particular. Confira imagens:
“Alucinação” e visita de Michelle
No dia 23 de novembro, um dia após a prisão preventiva, Bolsonaro passou por uma audiência de custódia, realizada por videoconferência. Ao responder sobre a violação da tornozeleira, ele relatou que teve uma “certa paranoia”, uma “alucinação” de que havia uma escuta instalada no equipamento, supostamente causada após tomar dois medicamentos que não deveriam ser misturado: Pregabalina e Sertralina, receitados por médicos diferentes.
Na parte da tarde, Jair recebeu a visita da esposa Michelle Bolsonaro (PL). Ela deixou o local por volta das 17h, sem falar com a imprensa. O dia foi marcado por confusões entre apoiadores e opositores ao ex-presidente na frente da PF.
Trânsito em julgado e pena em regime fechado
O STF concluiu o julgamento da trama golpista, que condenou Jair Bolsonaro a 27 anos e 3 meses de prisão, na última terça-feira (25/11) declarando o trânsito em julgado do processo (quando não cabem mais recursos de defesa).
O Supremo determinou que, inicialmente, a pena seria cumprida na própria Superintendência, na mesma sala onde já cumpria a preventiva.
A defesa de Bolsonaro pretendia apresentar embargos infringentes, antes que o processo fosse transitado em julgado (o prazo era até o final desta semana). Moraes decretou o fim do processo, entendendo que eventuais embargos seriam recursos meramente protelatórios (apenas para gastar tempo). Segundo a jurisprudência do STF, embargos infringentes só seriam válidos se ao menos dois ministros do colegiado tivessem votado por absolver Bolsonaro. No caso, apenas o ministro Luis Fux votou nesse sentido.
Os advogados do ex-presidente acabaram ingressando com embargos infringentes no STF na última sexta-feira (28/11).
Leia também
-
Carlos lista doenças de Bolsonaro após PGR pedir domiciliar de Heleno
-
Bolsonaro: defesa pede autorização para 3 pessoas levarem comida à PF
-
Filhos de Bolsonaro querem anistia ampla, mas aliados são pessimistas
-
Após prisão, PL suspende salário e atividades partidárias de Bolsonaro
Visitas de Flávio e Carlos Bolsonaro
Já cumprindo a prisão definitiva, Bolsonaro recebeu no dia 25 a visita dos filhos Flávio (PL-RJ) e Carlos (PL-RJ).
Ao falar com a imprensa na saída, Flávio revelou um pedido do pai: que os presidente do Senado e da Câmara, Davi Alcolumbre (União-AP) e Hugo Motta (Republicanos-PB) pautassem o projeto de anistia.
Senador Flávio Bolsonaro chega na Superintendência da Polícia Federal para visitar o pai
Luis Nova/Especial Metrópoles @LuisGustavoNova2 de 5
Senador Flávio Bolsonaro após visitar o pai na Polícia Federal
BRENO ESAKI/METRÓPOLES @BrenoEsaki3 de 5
Senador Flávio Bolsonaro após visitar o pai na Polícia Federal
BRENO ESAKI/METRÓPOLES @BrenoEsaki4 de 5
Vereador Carlos Bolsonar visita o pai, que está preso na superintendência da Polícia Federal
BRENO ESAKI/METRÓPOLES @BrenoEsaki5 de 5
Vereador Carlos Bolsonar visita o pai, que está preso na Superintendência da Polícia Federal
Luis Nova/Especial Metrópoles @LuisGustavoNova
“Pediu que a gente insistisse com presidente Motta e Alcolumbre, e que nos pedíssemos pra eles a colocação em pauta do projeto de anistia. É um pedido direto dele aos presidentes Hugo Motta e Davi Alcolumbre”, declarou Flávio na ocasião.
Audiência de custódia e crise de soluços
O núcleo 1 da trama golpista, chamado de núcleo crucial, passou por audiência de custódia no dia 26. O STF manteve as penas de todos os condenados (além de Bolsonaro – Anderson Torres, almirante Almir Garnier, e os generais Paulo Sérgio Nogueira, Augusto Heleno e Braga Netto).
Nessa quinta-feira (27/11), Bolsonaro voltou a receber visitas de familiares, dessa vez do filho mais novo, o vereador Jair Renan (PL-SC) e da esposa Michelle pela segunda vez.
O ex-presidente da República foi medicado após uma de crise soluços. Jair Renan afirmou que a crise de soluço “voltou mais acentuada, ainda mais forte, e ele já havia me relatado que não conseguiu dormir durante a noite. Os episódios de refluxo que ocorreram ontem continuam persistindo ao longo do dia de hoje”.
No mesmo dia, o PL anunciou a suspensão do salário e das atividades partidárias do ex-chefe do Planalto.
