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Empresas fantasmas de político réu por lavagem de dinheiro seguem ativas

Empresas fantasmas de político réu por lavagem de dinheiro seguem ativas

Quatro meses após ser denunciada pelo Ministério Público Eleitoral (MPE), a família do político goiano Eurípedes Gomes de Macedo Júnior, ex-vereador de Planaltina de Goiás (GO), mantém ativas as empresas apontadas como organizações de fachada para lavagem de dinheiro.

Entenda o caso

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Eurípedes Gomes de Macedo Júnior

Redes sociais2 de 4

Jheniffer Hannah Lima de Macedo

Reprodução/Instagram3 de 4

Giovanna Yule Lima de Macedo

Redes sociais4 de 4

Maria Aparecida dos Santos, a Dona Cida

Redes sociais

Mais sobre as empresas

Como noticiado à época, as empresas GFAX Assessoria, Consultoria e Gestão Ltda., Lar Serviços de Consultoria Ltda. e Hotel Planaltina Ltda fazem parte do esquema fraudulento. Todas elas aparecem com status ativo em sites oficiais de busca de cadastro nacional de pessoas jurídicas (CNPJ).

Aberta em março de 2019, a empresa Lar Serviços de Consultoria está com a situação cadastral ativa junto à Receita Federal. Tem como sócios as filhas de Eurípedes, Jhennifer Hannan e Giovanna Yule Macedo; a mãe, Maria Aparecida dos Santos; o irmão, Fabrício George Gomes dos Santos; e a cunhada Kelle Pereira da Silva Dutra, além do próprio Eurípedes.

O endereço da empresa, situado no bairro Parque Atheneu, em Goiânia, aponta para um imóvel residencial, de acordo com os serviços de pesquisa do Google.

Sede da Lar Serviços de Consultoria Ltda., de Eurípedes Júnior e familiares

O endereço de e-mail da empresa cadastrado na Receita Federal é laodiceiadourado@hotmail.com. O nome indicado no e-mail é o mesmo de Laodicéia Dourado, ex-vereadora do Novo Gama (GO) pelo Solidariedade. O Metrópoles tentou contato com Laodicéia para entender se a mulher possui relação com a empresa e aguarda retorno.

Já a GFAX Assessoria, Consultoria e Gestão está cadastrada junto à Receita como holding de instituições não financeiras. Uma holding tem, entre outras funções, resguardar ativos de outras empresas. No caso da GFAX, a organização ostenta capital social de R$ 2,37 milhões.

Os sócios da holding são Eurípedes e as filhas, Jhennifer e Giovanna. O endereço cadastrado aponta para o bairro Santa Rita, em Planaltina de Goiás (GO).

Embora não necessite ter sede pelo fato de ser uma holding, a GFAX tem uma “irmã” com o mesmo nome, a Imobiliária GFAX. Esta empresa também tem como sócios Eurípedes e as filhas e, em tese, funciona no Jardim Paquetá II, bairro de Planaltina de Goiás (GO). Aberta em 2024, a imobiliária não tem espaço físico aparente e nem redes sociais, ao contrário de outras empresas da família.

Apesar da alcunha de imobiliária, são diversas as atividades econômicas desta empresa: construção de edifícios; comércio varejista de madeira e artefatos; atividades de intermediação e agenciamento de serviços e negócios em geral, exceto imobiliários; entre outras.

Outra empresa mencionada na denúncia do MPE é o Hotel Planaltina Ltda. Ao lado, no Setor Leste, em Planaltina (GO), funciona a Lavanderia Planaltina Ltda. Ambas demonstram aparente funcionamento, com sede facilmente localizada em sites de busca, perfis ativos em redes sociais e respostas a perguntas de usuários em espaços de avaliações. Nas redes, usuários comentam que o empreendimento já funcionava como hotel e foi comprado pela família há cerca de três anos.

Eurípedes Júnior aparece como sócio ou sócio-administrador de outras três empresas, todas ativas. Já Jhennifer Hannah é sócia de outras duas organizações.

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A denúncia

Conforme noticiou a coluna Mirelle Pinheiro, em julho deste ano, a denúncia do MPE aponta que Eurípedes foi responsável direto pela apropriação de recursos do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC) destinados ao Pros, em proveito próprio e alheio, sobretudo em datas similares ou próximas a eventos marcantes da disputa judicial da gestão do partido e no direcionamento de verbas públicas para candidaturas laranjas.

O juiz Jayder Ramos de Araújo, da 11ª Zona Eleitoral do DF, ao analisar o inquérito, afirmou que “os elementos coligidos durante a fase investigativa apontam para a possível existência de uma organização criminosa com estrutura hierarquizada e divisão de tarefas, supostamente liderada por Eurípedes Gomes de Macedo Júnior”.

De acordo com a denúncia do MPE, a organização operava em três núcleos distintos e interligados:

Ao receber a denúncia, o juiz Jayder Ramos de Araújo, da 11ª Zona Eleitoral, destacou a robustez das provas apresentadas pelo Ministério Público. O magistrado determinou o arquivamento da investigação em relação a outros nove investigados por falta de provas ou atipicidade da conduta, mas ressalvou que as apurações sobre outros fatos e agentes continuarão.

Prisão e operações anteriores

A operação Fundo do Poço, da PF, que investigou desvios de R$ 36 milhões do Fundo Partidário nas eleições de 2022, terminou por prender Eurípedes Júnior. Ele chegou a ficar três dias foragido, mas se entregou em 15 de junho daquele ano. Em 7 de agosto, ganhou liberdade provisória.

Não foi a primeira vez que Eurípedes Júnior entrou na mira da Justiça. Em 2014, o Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO) determinou a cassação de R$ 34,5 mil em bens do político, então ex-presidente da Câmara Municipal de Planaltina (GO).

Eurípedes foi suspeito de contratar ao menos três funcionários comissionados, entre 2009 e 2010, para desviar dinheiro do gabinete. À época, o Ministério Público de Goiás (MPGO) apontou ainda supostos desvios de expediente, limpeza e outros bens.

Outro lado

Em resposta ao Metrópoles, o advogado Bruno Martins, que representa o ex-prefeito Eurípedes Júnior, ressaltou que o processo que acusa o político tramita sob segredo de Justiça e, por isso, “a defesa se absterá de qualquer manifestação neste momento, reservando-se para apresentar todos os esclarecimentos no momento oportuno, diretamente nos autos”.

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