O fim de ano é sinônimo de encontros, brindes e comidas festivas. Mas, para especialistas, a combinação de bebidas alcoólicas, frituras, doces e alimentos ultraprocessados pode sobrecarregar o organismo e gerar problemas silenciosos para o metabolismo e o coração. O alerta vem do endocrinologista Fabiano Malard, professor de Medicina do Centro Universitário UniBH.
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Segundo Malard, pessoas com diabetes, pré-diabetes, hipertensão, obesidade ou colesterol alto estão mais suscetíveis a descompensações durante o período de festas. “O consumo excessivo desses alimentos provoca picos de glicemia, aumento de triglicérides, acúmulo de gordura visceral e elevação do colesterol LDL. Além disso, o sódio favorece retenção de líquido e pressão alta”, explica.
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Os ultraprocessados, segundo o médico, são produtos industrializados com aditivos como corantes, emulsificantes e adoçantes que não existem na culinária caseira. “Eles concentram calorias e gorduras ruins, mas perdem fibras, vitaminas e minerais. Cada ingrediente contribui para um efeito negativo específico: corantes aumentam o estresse oxidativo, emulsificantes alteram a microbiota intestinal e adoçantes afetam o paladar e o controle da glicemia. O problema está no conjunto”, detalha.
Com a proximidade das confraternizações, cresce também o consumo de bebidas alcoólicas, frituras, doces e alimentos ultraprocessados, combinação que representa um perigo silencioso para o coração e o metabolismo
O mito do álcool social
Mesmo pequenas quantidades de álcool podem ser prejudiciais. “As bebidas alcoólicas interferem nas funções do fígado, podem alterar a glicemia, aumentar triglicérides e provocar inflamação e risco de arritmias. As diretrizes internacionais falam em consumo moderado – até duas doses por dia para homens e uma para mulheres – mas o ideal é zero álcool”, alerta Malard. Uma dose equivale a 350 ml de cerveja, 150 ml de vinho ou 45 ml de destilado.
A combinação típica das festas – álcool com frituras, embutidos e doces – pode gerar desconfortos imediatos, como gases, distensão abdominal e cansaço, além de afetar sono, pele e concentração. “O perigo é que nem sempre percebemos os sinais, e o hábito se instala silenciosamente”, afirma o especialista.
Mesmo o chamado “álcool social” não é inofensivo, conforme aponta Fabiano
Celebrar com equilíbrio
Para aproveitar as confraternizações sem comprometer a saúde, Malard sugere estratégias práticas: priorizar alimentos naturais em pelo menos 80% do prato, respeitar limites de álcool, planejar momentos de exceção, manter a atividade física mesmo que adaptada e não transformar um deslize em uma semana de excessos. “O segredo é moderação. Não é preciso ser perfeito, mas é essencial cuidar da saúde enquanto se aproveita as festas”, conclui.
