Depois dos cães e dos gatos, o pet mais comum nas casas brasileiras são os pássaros. São diversas espécies, cores e tamanhos diferentes, e cada um deles tem necessidades e características únicas. Assim como outros animais domesticados, as aves também precisam de uma alimentação adequada que proporcione todos os nutrientes necessários.
Leia também
-
Cão foge de casa e anda 12 km até encontrar um novo destino
-
Baixinho e bravo: saiba por que cachorros pequenos vivem sob estresse
-
Sete dicas para deixar o ambiente fresquinho para os pets no calor
-
Cão protetor viraliza por hábito cuidadoso com as crianças da família
No senso comum, as pessoas costumam pensar que é fácil cuidar da dieta de um bicho de estimação como esse, já que no geral se alimentam de sementes. De fato, não é nada complexo, mas o equívoco está em achar que qualquer uma delas é ideal e que é somente isso.
Clique aqui para seguir o canal do Metrópoles Vida&Estilo no WhatsApp
Não é o suficiente
Segundo Carolina Sant’Anna, médica veterinária especializada em nutrição animal, uma dieta baseada apenas em sementes não é o suficiente para pássaros de estimação. “Especialmente as mais comuns, como girassol e milho, não oferecem todos os nutrientes essenciais que eles precisam para uma saúde ideal.”
Além disso, ela menciona que esses grãos podem ser ricos em gordura, mas pobres em proteínas, vitaminas e minerais necessários. Não consumindo o que precisam para se manterem saudáveis, esses animais acabam sofrendo com deficiências nutricionais ao longo do tempo.
“Algumas sementes carecem de fibras suficientes, o que é importante para o sistema digestivo. Embora sejam uma parte importante da dieta, elas devem ser complementadas com outros alimentos”, orienta.
Excesso nunca é bom
Outro problema está relacionado com o sobrepeso e doenças adjacentes, como cardíacas e hepáticas. Carolina afirma que o excesso pode acabar levando ao acúmulo de gordura nas aves. “Muitas sementes, como as de girassol, têm um alto conteúdo de lipídios, e quando consumidas em grandes quantidades, podem fornecer mais calorias do que necessitam.”
De acordo com a especialista, a obesidade pode levar a uma série de problemas de saúde. “Dificuldades respiratórias, problemas cardíacos, e até mesmo o desenvolvimento de doenças metabólicas como a esteatose hepática, que é o acúmulo de gordura no fígado.”
“Se o pássaro não gastar essas calorias extras por meio de atividade física, o excesso de energia será armazenado como gordura, o que resulta na obesidade. Além disso, a gordura excessiva pode interferir na mobilidade, tornando-o mais propenso a lesões ou dificuldades para voar”, alerta.
Sinais de alerta, fique atento!
Carolina explica que existem alguns sinais clínicos que indicam que o animal está sofrendo problemas causados pela alimentação.
Confira:
- Comer menos ou mais do que o normal, ou até mesmo deixar de aceitar alguns tipos de alimentos;
- Penas opacas, quebradiças ou com aspecto desnutrido;
- Ficar mais quietos, com menos energia e sem o comportamento ativo normal;
- Diarreia ou fezes muito líquidas podem ser sinais de problemas digestivos;
- Dificuldades para voar ou apresentar uma postura alterada.
“Se qualquer um desses sinais for notado, é importante consultar um veterinário especializado em aves para investigar a causa e ajustar a alimentação conforme necessário”, acrescenta.
Afinal, como proporcionar uma dieta adequada?
É importante que os tutores saibam que existe uma diferença significativa entre sementes comuns e fórmulas para aves. “As sementes comuns, como milho e alpiste, são frequentemente ricas em gorduras e carboidratos, mas têm deficiências em outros nutrientes essenciais, como proteínas, vitaminas e minerais.”
Carolina comenta que, por outro lado, as misturas formuladas para esses animais são projetadas justamente para oferecer uma dieta equilibrada. “Essas rações comerciais atendem às necessidades nutricionais específicas de diferentes espécies, como psitacídeos, canários e calopsitas, o que ajuda a evitar deficiências nutricionais.”
“É importante variar a dieta e evitar alimentos tóxicos para aves, como abacate, cebola, alho, chocolate e alimentos ricos em açúcar”, salienta.
Segundo ela, além da ração, outros alimentos também deve ser ofertados. Frutas frescas, por exemplo, são ricas em vitaminas, minerais e antioxidantes. Já legumes, como brócolis e cenoura, fornecem fibras e outros nutrientes. Grãos e cereais, como quinoa e aveia, são uma excelente opção. Ovo e leguminosas também estão na lista, já que oferecem proteína de qualidade.
