A Petrobras encerrou o mês de novembro com as ações em queda no último pregão da Bolsa de Valores do Brasil (B3), nessa sexta-feira (28/11), dia seguinte ao anúncio do plano estratégico da companhia para os próximos cinco anos, entre 2026 e 2030.
Ao final da última sessão do mercado no mês, as ações ordinárias da Petrobras, que dão direito a voto em assembleias, recuaram 2,45% e foram negociadas a R$ 33,38.
Já as ações preferenciais da estatal, que oferecem prioridade no pagamento de dividendos, tombaram 1,88%, cotadas a R$ 31,79.
O que explica a queda da Petrobras
De acordo com analistas do JPMorgan, um dos principais bancos dos Estados Unidos, um dos focos de preocupação deflagrados após a divulgação do plano estratégico da Petrobras para o próximo quinquênio envolve a projeção do preço do petróleo tipo Brent (referência para o mercado internacional), considerada excessivamente otimista em relação às estimativas médias do mercado.
A empresa considerou o valor de US$ 70 por barril para a maior parte dos anos do ciclo, o que, segundo analistas, pode superestimar o ambiente macroeconômico.
“No entanto, a Petrobras fornece sensibilidades claras: a cada redução de US$ 10/barril no Brent, o fluxo de caixa operacional anual diminui em cerca de US$ 5 bilhões, ajudando os investidores a avaliarem cenários de queda”, diz o relatório do JPMorgan.
A Genial Investimentos segue a mesma linha em sua avaliação sobre o plano da Petrobras, observando que as estimativas otimistas também se estendem para o câmbio. A corretora afirma ainda que a confirmação das projeções depende de cenários mais positivos para o petróleo Brent e o câmbio do que espera o mercado neste momento.
De acordo com o Bradesco BBI, a reação inicial do mercado ao plano da Petrobras foi mais negativa do que se esperava porque os investidores se preocuparam com gastos mais elevados de curto prazo. Trata-se da mesma observação feita em análise da Manchester Investimentos.
“Sempre se tem um medo da Petrobras acabar investindo mais do que deveria. E, se você tem um investimento maior do que o que consegue entregar no cenário de Brent mais baixo, consequentemente tira dividendo, não tem mágica. O mercado estava olhando muito para isso”, afirma Gabriel Mota de Souza, sócio da Manchester Investimentos.
Para ele, entretanto, “o plano veio em linha com o que o mercado estava esperando”. “Esperava-se uma redução por conta do valor do Brent. No último plano estratégico divulgado pela empresa, estavam considerando o Brent próximo de US$ 83, era uma outra realidade em relação ao preço de hoje. A empresa precisou fazer um ajuste”, explica Gabriel.
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Redução de investimentos
A Petrobras projeta investimentos de US$ 109 bilhões para os próximos cinco anos. O valor aprovado é 1,8% menor do que o que havia sido apresentado no ano passado. A redução dos investimentos da Petrobras já era esperada pelo mercado, em meio a um cenário de preços mais baixos do petróleo.
Em comunicado, a empresa informou que US$ 91 bilhões serão destinados a projetos da Carteira de Implantação e outros US$ 18 bilhões à Carteira em Avaliação.
Entre as iniciativas que vão em direção à diminuição dos gastos, estão a redução de custos em plataforma sem produção, maior otimização da logística aérea e marítima e das intervenções em poços e inspeções submarinas, além do melhor aproveitamento de frete de retorno e da postergação de serviços não prioritários de rotina e conservação.
De acordo com o plano da Petrobras, a companhia deve investir US$ 19,4 bilhões no ano que vem, US$ 21 bilhões em 2027, US$ 20,5 bilhões em 2028, US$ 16,1 bilhões em 2029 e US$ 14,3 bilhões em 2030.
Em 2026, o investimento de caixa deve ser de US$ 16,9 bilhões, com a produção de 2,5 milhões de barris por dia (bpd). A produção deve atingir 2,7 milhões boed em 2028 e ficar em 2,6 milhões boed em 2029 e 2030.
Foco da Petrobras
Segundo a Petrobras, o foco da companhia ainda continua sendo óleo e gás, em uma estratégia de “dupla resiliência”, com baixo custo e baixa emissão, para que a empresa também avance, em paralelo e gradativamente, na transição energética.
De acordo com o projeto da Petrobras, US$ 78 bilhões serão destinados à exploração e à produção. Desse montante, US$ 69,2 bilhões são destinados a projetos da Carteira em Implantação Alvo em E&P, 62% ao pré-sal, 24% aos campos do pós-sal, 10% à exploração e 4% a outros segmentos, como terras, águas rasas e projetos no exterior e de descarbonização.
A Petrobras prevê ainda US$ 20 bilhões para iniciativas de refino, transporte, comercialização, petroquímica e fertilizantes. Para gás e energias de baixo carbono, serão investidos US$ 9 bilhões.
Em um ambiente mais desafiador em relação aos preços do petróleo, a Petrobras também reduziu a remuneração aos seus acionistas para o período entre 2026 e 2030.
Dividendos
Segundo a companhia, os dividendos ordinários ficarão entre US$ 45 bilhões e US$ 50 bilhões. No plano anterior, a estimativa era de até US$ 55 bilhões.
A Petrobras também informou que deixou de prever o pagamento de dividendos extraordinários, que, até então, eram projetados em até US$ 10 bilhões.
Os dividendos são a parcela do lucro líquido que uma empresa distribui aos seus acionistas.
