O debate acerca de uma possível anistia para os condenados pelos atos de 8 de janeiro está dominando a internet. De acordo com o levantamento da Ativaweb DataLab, em apenas um ano, 72 milhões de menções sobre anistia foram realizadas na web. E isso se dá tanto contra como a favor.
Do valor total, 48,8% menções foram favoráveis à #AnistiaJá. 31,5% defenderam a narrativa #Sem Anistia e 19,7% se mantiveram neutros sobre a temática.
O tema teve 72.878.123 menções únicas nas redes sociais. O estado com maior volume de menções foi São Paulo 24,3%, seguido por Rio de Janeiro e Minas Gerais, com 13,% e 10,4%, respectivamente.
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Polarização
Os números evidenciam a polarização política vivida pelo Brasil nos últimos anos. Esse cenário chegou até as redes e deve perdurar até as eleições de 2026, com eleitores e políticos com presença marcada no âmbito digital. Para Alek Maracajá, CEO da Ativaweb, desde 2018, o Brasil vive uma transformação estrutural na conectividade digital.
O especialista em big data esclarece que a presença digital é o principal termômetro da força política e quem domina o algoritmo não controla só o discurso, mas controla também o ritmo da decisão do eleitor.
“A eleição começa primeiro no feed, depois na rua. Não é sobre curtidas. É sobre programar o ambiente onde o voto nasce. O celular virou a nova urna invisível da democracia. Quem ignora o digital não perde engajamento, perde o controle da narrativa”, analisa Maracajá.
Os perfis mais ativos no debate da anistia na internet são adultos de 25 a 34 anos, representando 34,8% das menções. A leitura técnica da Ativaweb destaca que o debate é liderado pela geração hiperconectada, com alta presença de jovens adultos e comportamento de replicação acelerada de narrativas.
Personificação
O levantamento também traz a personificação das pessoas que participaram do debate da anistia na internet. No espectro político direita as menções são feitas por influenciadores políticos conservadores, parlamentares bolsonaristas, comunicadores independentes, perfis religiosos ativistas e comunidades anti-STF.
Pela esquerda, o perfil das pessoas por trás das publicações são militantes sindicais e universitários, coletivos progressistas, jornalistas ativistas, núcleos acadêmicos politizados e perfis ligados a movimentos identitários. “A direita opera com maior volume e replicação. A esquerda opera com maior densidade discursiva e articulação semântica”, diz a leitura técnica do levantamento.
“As redes não “criam” o voto sozinhas, mas aceleram processos de convencimento, reforçam crenças e reduzem o tempo de decisão do eleitor. O digital não vira voto por mágica ele molda o ambiente psicológico onde a decisão é tomada”, afirma Alek.
