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    SP: Cine Belas Artes encerra parceria com Reag e busca novo patrocínio

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    O Cine Belas Artes, um dos cinemas de rua mais tradicionais de São Paulo, informou nessa sexta-feira (28/11) que encerrou a parceria com a Reag Capital Holding, que emprestava o nome ao espaço desde 2024.

    O contrato com a Reag havia sido firmado em janeiro do ano passado e teria validade de cinco anos, com possibilidade de prorrogação. O Belas Artes já deu início a uma campanha para encontrar um novo patrocinador que garanta o funcionamento do cinema.

    A Reag Capital Holding foi controladora da Reag Investimentos, um dos alvos da Operação Carbono Oculto, deflagrada em agosto deste ano pela Receita Federal e outros órgãos, para desarticular esquema bilionário de fraudes e lavagem de dinheiro no setor de combustíveis que envolve integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC) e fintechs e fundos de investimentos da Faria Lima.

    O que diz o Belas Artes

    Por meio de nota, o Belas Artes afirmou que a rescisão do contrato foi “amigável” e definida em “comum acordo”. Segundo a empresa, a decisão foi tomada em função de mudanças de mercado e do novo momento da companhia que até então patrocinava o cinema. “O apoio da Reag foi fundamental e somos gratos por esse período de colaboração”, afirmou o Belas Artes.

    “Nossos caminhos divergiram e a intenção agora é iniciar uma nova fase: reafirmando sempre que as marcas podem impulsionar a cultura de maneira ativa – com um olho na preservação do patrimônio e o outro na construção de um futuro mais rico, vibrante e criativo. Isso é demonstrar compromisso com o desenvolvimento da sociedade e com a ampliação do acesso à arte e à cultura”, completou a empresa, em nota assinada pelo presidente do Belas Artes Grupo e curador do Cine Belas Artes, André Sturm.

    Com o fim da parceria, as empresas eventualmente interessadas em assumir o patrocínio do Cine Belas Artes devem entrar em contato com a gestão da empresa e enviar propostas por meio do e-mail [email protected].

    O possível novo acordo prevê uma parceria com duração de cinco anos, com possibilidade de extensão, para a manutenção e revitalização do espaço.

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    Histórico de parcerias

    Em 2011, por falta de patrocínio, o Belas Artes teve de fechar as portas. Na época, foi lançado um movimento batizado de Belas Artes Meu Amor, que pressionou o poder público a preservar o espaço.

    O cinema reabriu em 2014, com patrocínio da Caixa, e teve sua fachada tombada pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado de São Paulo (Condephaat).

    A parceria com o Grupo Petrópolis, por sua vez, durou de 2019 até o fim de 2023. Em janeiro de 2024, a Reag assumiu o contrato.

    O Cine Belas Artes foi fundado há quase 60 anos, em 1967. As salas de cinema estão localizadas em um icônico prédio na Rua da Consolação, na capital paulista.

    Reag mudou de nome

    A Reag Investimentos recentemente mudou sua denominação social para Arandu Investimentos. A alteração foi aprovada em assembleia de acionistas realizada no último dia 21.

    A partir do dia 3 de dezembro, as ações da empresa passarão a ser negociadas na Bolsa de Valores do Brasil (B3) sob o código ARND3 – em substituição ao ticker REAG3.

    O nome de pregão também será alterado – de REAGINVEST para ARANDU.

    No início de setembro, a Reag Capital Holding informou que o conselho consultivo da companhia havia sido extinto após uma renúncia generalizada de seus integrantes. Era o órgão facultativo e não estatutário de assessoramento do Conselho de Administração.

    A Reag foi uma das maiores gestoras independentes do país, ou seja, sem ligação com bancos. Em seu site, a empresa informava que tinha R$ 299 bilhões sob gestão. O fundador da companhia foi o empresário João Carlos Mansur.

    Rebatizada, a nova Arandu Investimentos é comandada por Dario Graziato Tanure, que exerce a função de CEO e chefe de relações com investidores. O executivo também integra o Conselho de Administração da companhia.

    Operação Carbono Oculto

    Na época da deflagração da Carbono Oculto, a Reag afirmou que não havia qualquer envolvimento da empresa em atividades ilegais e que diversos fundos citados na operação nunca estiveram sob sua administração. A companhia disse ainda que manteve controles internos rigorosos para a prevenção e o combate à lavagem de dinheiro.

    “Quanto aos fundos de investimento apurados em que a empresa atuou como prestadora de serviço, informa que agiu de forma regular e diligente. Cumpre registrar que tais fundos foram, há meses, objeto de renúncia ou liquidação. Reforça, ainda, que não possui nem nunca possuiu qualquer envolvimento com as atividades econômicas ou empresariais conduzidas por esses clientes”, afirmou a Reag, em nota.

    Na ocasião, a empresa confirmou que foram “cumpridos mandados de busca e apreensão em suas respectivas sedes no âmbito da Operação Carbono Oculto”.

    “Trata-se de procedimento investigativo em curso. As companhias esclarecem que estão colaborando integralmente com as autoridades competentes, fornecendo as informações e documentos solicitados, e permanecerão à disposição para quaisquer esclarecimentos adicionais que se fizerem necessários”, disse a Reag.

    “As companhias manterão seus acionistas e o mercado informados sobre o desenvolvimento dos assuntos objeto deste fato relevante”, completou a empresa.