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    Trama golpista: Dino diz que servidores caíram no “canto da sereia”

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    O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino afirmou que “dói na alma” ver que servidores públicos caíram no “canto da sereia” ao darem suporte a uma tentativa de golpe de Estado.

    A declaração ocorreu no contexto do julgamento do núcleo 3 da trama golpista no STF, que analisa se militares e um policial federal aderiram a uma tentativa de golpe. Dino lamentou que haja servidores públicos com carreiras longas que tenham atuado em favor de uma ruptura no Estado Democrático de Direito.

    “Sou servidor público há 36 anos e, portanto, julgarmos servidores públicos de longeva carreira é algo que nos traz lamento — mas não pelo fato de julgarmos, e sim pelo fato de um servidor, militar ou civil, com 30, 40 anos de serviço público, de repente cair no canto da sereia. Dói na alma”, disse o magistrado.

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    Dino acrescentou que o julgamento do núcleo 3 visa, respeitosamente, emitir um chamado a servidores públicos para que não caíam em “tentações demoníacas”.

    “Vejo, às vezes, um servidor com 60, 70 anos, até mesmo magistrados, que, de repente, vai no canto da sereia, no rumo desse ativismo comercial. Fico pensando: ele vai fazer o quê com esse dinheiro? Vai para o Egito construir uma pirâmide? Com dinheiro, ouro, diamante? Ele vai fazer o que com isso? Ele joga a reputação dele fora e, portanto, como servidor público e como colega, externo esse lamento”, completou Dino.

    Os réus do núcleo 3 somam 10 acusados, entre eles militares das Forças Especiais, conhecidos como “kids pretos”, além do policial federal Wladimir Soares. A Primeira Turma do STF condenou, por unanimidade, 9 dos 10 réus.