O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, intensificou os ataques contra mulheres jornalistas. Apenas no mês de novembro, o republicano xingou ao menos quatro repórteres que fizeram perguntas durante coletivas de imprensa ou escreveram reportagens sobre a gestão dele.
O episódio mais recente ocorreu na última quinta-feira (27/11), durante uma coletiva de imprensa na mansão de Mar-a-Lago, na Flórida. Uma jornalista da CBS News questionou o motivo de Trump culpar o ex-presidente Joe Biden pela entrada do afegão Rahmanullah Lakanwal nos Estados Unidos.
O homem é o atirador que abriu fogo contra agentes da Guarda Nacional em Washington, na quarta-feira (26/11), episódio que resultou na morte de uma militar de 20 anos. O afegão entrou nos EUA em 2021, durante o governo Biden, mas conseguiu asilo em abril deste ano, já na gestão de Trump.
“Porque eles (o governo Biden) o deixaram entrar. Você é estúpida? Você é uma pessoa estúpida? Porque eles entraram de avião, junto com milhares de outras pessoas que não deveriam estar aqui, e você só fica fazendo perguntas porque é uma pessoa estúpida”, respondeu Trump.
No dia anterior, a vítima de ataques de Trump foi uma jornalista do The New York Times que foi coautora de uma reportagem sobre ele. A matéria — intitulada Dias mais curtos, sinais de fadiga: Trump enfrenta as realidades do envelhecimento no cargo — destaca que o republicano é o presidente mais velho que o país já teve e mostra que Trump está “desacelerando” no segundo mandato, participando de menos compromissos oficiais e tendo atividades cada vez mais curtas.
O chefe da Casa Branca não gostou da reportagem e publicou um longo texto na rede social Truth Social. Na postagem, ele diz que o The New York Times é um jornal de “esquerda radical” e que o “jornaleco barato” será fechado “em breve”.
A reportagem citada por ele é assinada por dois jornalistas, um homem e uma mulher. No entanto, no texto publicado, Trump só ataca a mulher. “A autora da matéria, Katie Rogers, designada para escrever apenas coisas ruins sobre mim, é uma repórter de terceira categoria, feia por dentro e por fora”, escreveu.
“Pessoal horrível” e “porquinha”
No dia 18 de novembro, Trump recebeu na Casa Branca o príncipe herdeiro Mohammed bin Salman, da Arábia Saudita. No encontro, o presidente disse que o convidado tinha um “histórico ótimo” sobre direitos humanos, apesar de o próprio Departamento de Estado dos EUA ter feito um relatório em 2024 sobre diversos episódios de violência envolvendo o convidado.
Um dos que causou mais revolta nos Estados Unidos foi o assassinato do jornalista Jamal Khashoggi, do jornal norte-americano Washington Post. O homem foi executado dentro do consulado da Arábia Saudita em Istambul, na Turquia. O assassinato foi realizado por membros do governo saudita, sob ordem do próprio príncipe saudita.
Em coletiva de imprensa na Casa Branca, ao lado do príncipe, uma repórter da ABC News questionou Trump sobre o crime. O republicano a chamou de “pessoa terrível e repórter terrível”, disse que a pergunta era “insubordinada” e visava constranger o príncipe herdeiro.
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Donald Trump
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Donald Trump e Mohammed bin Salman
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Donald Trump, presidente dos Estados Unidos
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Trump na Malásia
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No começo de novembro, outro episódio. Após a viagem para a Malásia, Trump conversou com jornalistas a bordo do Air Force One, a aeronave presidencial. Durante a coletiva, uma repórter da Bloomberg questionou o republicano sobre a liberação dos arquivos do caso Jeffrey Epstein.
Trump ignorou a pergunta e ofendeu a jornalista. “Quieta. Quieta, porquinha”, disse.
Nessa sexta-feira (28/11), a secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, respondeu aos questionamentos dos jornalistas sobre os ataques contra mulheres. Leavitt apenas respondeu que Trump é “muito franco e honesto” nas respostas.
