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    Bilionário palmeirense que irritou Jardins é cotado para suceder Leila

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    O bilionário CEO da Cimed, João Adibe, dono de mansão faraônica que irritou moradores dos Jardins, é cotado para ocupar o posto de presidente do Palmeiras, hoje a cargo da empresária Leila Pereira.

    Conforme revelado pelo Metrópoles, a Justiça embargou a obra de uma mansão dele nos Jardins e vetou a concessão de Habite-se para o imóvel. Antes disso, as principais aparições do empresário no noticiário eram ligadas ao Palmeiras.

    A Cimed é patrocinadora do Palmeiras e Adibe não esconde a torcida pelo time. Um dos carros que ele já teve foi uma Mclaren Artura com o escudo do time.

    “Artura ou surta! A primeira Mclaren Artura verde do Brasil, para o maior campeão do país. Parabéns, Palmeiras”, escreveu em suas redes. Mais recentemente, ele publicou outro post porque afirmou que trocou de carro porque queria um veículo mais esportivo.

    Adibe vem frequentando o noticiário como um possível presidente do time no futuro. “Sou pai de 5 filhos, tenho 53 anos e 6.000 funcionários. Quem sabe ser presidente do Palmeiras um dia? O 1º passo já foi feito, que foi virar sócio do clube”, afirmou em outubro à Rádio Itatiaia.

    Ostentação nas redes

    Com 4,5 milhões de seguidores, Adibe é o principal garoto propaganda da Cimed, uma das maiores farmacêuticas do país. Com patrimônio estimado em R$ 5,2 bilhões, ele é 86º homem mais rico do país, de acordo com a revista Forbes.

    Nas redes, ele costuma ostentar a vida de alto luxo que leva –com fotos de carrões, helicóptero e jatinho. Sua esposa, Cinthya Marques, segue a mesma linha de mostrar o dia a dia de rico, o que inclui postagens sobre a mansão nos Jardins.

    No vídeo, publicado em seu perfil com quase 300 mil seguidores em uma rede social, Cinthya conta detalhes da mansão da família, como a piscina inspirada em Gianni Versace e o lavabo pensado para homenagear Paris.

    A construção de seu novo imóvel foi acusada de danificar a casa do banqueiro André Schwartz, CEO do banco Genial, e foi alvo de uma ação civil movida pela Associação dos Moradores dos Jardins (AME Jardins).

    A entidade afirma que, em vez de realizar uma simples reforma, como foi aprovado, Adibe demoliu quase completamente a construção original — um imponente casarão que teria tido apenas a fachada preservada. A defesa de Adibe, por sua vez, afirmou que a obra foi autorizada por todos os órgãos competentes e já foi concluída há meses.

    Bilionário palmeirense que irritou Jardins é cotado para suceder Leila - destaque galeria4 imagensImagem da obra da mansão de João Adibe anexada ao processoImagem aérea de obra de mansão anexada ao processo Imóvel de João Adibe visto de fora, em imagem anexada ao processoFechar modal.MetrópolesTrabalhadores em obra de mansão de João Adibe, em imagem anexada ao processo1 de 4

    Trabalhadores em obra de mansão de João Adibe, em imagem anexada ao processo

    ReproduçãoImagem da obra da mansão de João Adibe anexada ao processo2 de 4

    Imagem da obra da mansão de João Adibe anexada ao processo

    ReproduçãoImagem aérea de obra de mansão anexada ao processo 3 de 4

    Imagem aérea de obra de mansão anexada ao processo

    Imóvel de João Adibe visto de fora, em imagem anexada ao processo4 de 4

    Imóvel de João Adibe visto de fora, em imagem anexada ao processo

    Reprodução

    Acusações de irregularidades

    O Jardim Paulista, onde fica o lote, é um bairro estritamente residencial e submetido a rígidas restrições urbanísticas. Segundo a AME Jardins, a construção desrespeita regras de tombamento dos Jardins ao extrapolar alturas máximas, descumprir recuos obrigatórios e realizar intervenções não previstas no projeto aprovado, como a construção de um segundo pavimento em uma edícula.

    A AME Jardins ainda denunciou a supressão da vegetação do lote, com pavimentação que compromete a permeabilidade do solo, além de danos como infiltrações, redução de insolação e invasão de privacidade imóvel vizinho.

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    A ação relata também que as obras continuaram apesar de embargos do Condephaat (órgão estadual de patrimônio histórico) e da Subprefeitura de Pinheiros.

    “Os vídeos em anexo, datados de 06/12/2025 (sábado), demonstram com clareza a continuidade da conduta recalcitrante, irregular e mesmo ilegal dos réus, que menosprezam as decisões administrativas e as multas aplicadas, seguindo seu intento construtivo como melhor lhe aprouver, ainda que ao arrepio das normativas”, diz a inicial.

    Juíza dá razão a associação

    No último dia 19, a juíza Mariana Medeiros Lenz, da 9ª Vara da Fazenda Pública, determinou uma série de medidas cautelares, entre elas a que determina a paralisação imediata da obra ou serviços no local.

    A decisão cita penalizações administrativas anteriores, além da constatação de “desvirtuamento do Alvará de Execução” pelo Condephaat. A juíza também afirma que a fiscalização foi cerceada, mas foi possível ver a partir de um imóvel vizinho que a “edícula avançou sobre o recuo obrigatório e atingiu altura superior ao limite permitido”.

    “O perigo de dano é evidente, dado o caráter irreversível das intervenções em patrimônio ambiental e urbanístico tombado. A continuidade das obras ao arrepio das ordens administrativas de embargo evidencia o risco de consolidação de uma situação fática ilegal, prejudicando a fruição do patrimônio cultural e ambiental pela coletividade e causando danos por impermeabilização do solo e supressão de vegetação protegida”, diz a magistrada.

    Além da paralisação da obra, a juíza determinou uma multa diária de R$ 50 mil em caso de desobediência, estabelecendo valor máximo de R$ 5 milhões. Também concedeu autorização aos servidores do Condephaat para entrar no imóvel e realizar vistoria completa para “apuração das irregularidades”.

    A decisão ainda vetou a concessão de “Habite-se” ou certificado de conclusão da obra pela prefeitura e ordenou a averbação da existência da ação na matrícula do imóvel no cartório.

    Decisão judicialDecisão judicial determina embargo da obra na casa de João Adibe

    O que diz o dono da mansão

    Os advogados de João Adibe, Daniel Bialski e Fabio Kadi, afirmaram que “a obra da casa foi autorizada por todos os órgãos competentes e já foi concluída há meses, portanto, não procede qualquer imputação de embargo”.

    “O imóvel inclusive possui o Habite-se, o que comprova a inidoneidade das alegações apresentadas. Aliás, a família reside no local há tempos”, acrescenta o comunicado.

    A nota afirma ainda que, em ação anterior, há um laudo elaborado por perito judicial que descartou qualquer responsabilidade de João Adibe sobre os problemas relatados pelo vizinhos. “O documento atesta, ainda, que os danos relatados são oriundos de má conservação daquele”.

    De acordo com o comunicado, uma ação sobre o mesmo caso movida pelo vizinho teve todas as cautelares indeferidas pela Justiça.