Recentemente, uma área equivalente a 76km de lado, no norte da Bahia, foi declarada árida, e não mais semiárida. A diferença é que o semiárido se torna árido quando chove ainda menos, aumenta a secura do solo e as temperaturas se elevam. Daí a mudança na denominação. Fica mais difícil sobreviver: “aquilo que plantamos, morre”, diz um habitante local. A mudança decorre de estudo do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais, o CEMADEN. Oficial e legalmente, porém, ainda não houve a mudança: a história oficial nem sempre reflete a realidade…
Longe, bem longe do Nordeste brasileiro, a mesma mudança climática altera o histórico de precipitação e força mudar hábitos: centenas de estações de esqui, na França, já foram fechadas permanentemente por falta de neve. O proprietário de uma delas diz: “pensamos usar neve artificial, mas isso seria apenas retardar o inevitável”! A “linha da neve” fica mais elevada a cada ano, e nas estações abaixo dessa linha não mais cai neve suficiente para atrair esquiadores. Desaparecendo estes, esvai-se parte importante do sustento dos moradores locais. Também no árido norte da Bahia os moradores perdem parte importante do seu sustento.
Nas estações abandonadas, ficam ociosas as instalações, apodrecendo. Plásticos, aço, motores, lubrificantes e outros materiais vão se degradando e gerando novas formas de poluição. Certo, a ausência de humanos permite o ressurgimento de plantas antes afastadas, assim como o retorno de alguns animais não humanos. No Norte árido da Bahia, acabam as plantações e o verde a tal ponto que cabras, bodes e cabritos emagrecem e passam a consumir a renda de seus proprietários, obrigados a comprar alimentos antes disponíveis àqueles animais não humanos. Aos animais humanos, a cada dia, parece mais inevitável abandonar o local.
Noutras plagas, fenômenos semelhantes, que decorrem das mesmas causas, matam e transformam vidas. Em São Paulo, o sistema Cantareira apresenta níveis baixíssimos de água, e há relatos de regiões da Grande São Paulo com abastecimento intermitente. Do outro lado do planeta, no sul e sudeste asiático, mil pessoas morreram e milhões tiveram que ser deslocadas em razão de enchentes grandes e súbitas, pioradas por ciclones de rara gravidade. Entidades internacionais e especialistas atribuíram a intensidade excepcional do fenômeno às mudanças climáticas e a outras práticas dos animais humanos, quais sejam, desmatamento e má gestão do solo em áreas morradas, aumentando a mortandade em razão de deslizamentos de terra.
A conectar todos esses fenômenos, a ganância de alguns: bilionários doentes mentais que buscam ganhar ainda mais dinheiro e se recusam a acelerar o abandono dos combustíveis fósseis, aos quais se juntam outros, milionários, para garimpar ou desmatar ilegalmente. E as instituições têm se revelado incapazes de encaminhar soluções para essa grande crise existencial do animal humano.
Que o ano de 2026 traga, a todos nós, a sabedoria, a capacidade e o sucesso em inventar e implantar um novo estilo de vida, no qual esse animal que se diz sapiens deixe de ser causa da destruição dos seus próprios meios de subsistência.
