Em uma sexta-feira que prometia o início do recesso de fim de ano, o cenário político em Brasília foi sacudido por uma operação da Polícia Federal que mirou nomes centrais do Partido Liberal (PL).
Segundo a investigação da Polícia Federal, os deputados Sóstenes Cavalcante e Carlos Jordy são suspeitos de desviar recursos da cota parlamentar por meio de empresas de fachada. O caso ganhou contornos dramáticos e, por vezes, cômicos com as justificativas apresentadas pelos envolvidos.
O “lapso” de Sóstenes
O ponto mais alto da operação foi a apreensão de R$ 430 mil em dinheiro vivo na residência de Sóstenes Cavalcante. O deputado justificou o montante como fruto da venda de um imóvel, alegando que o dinheiro ficou guardado em casa por um “lapso” de memória e falta de tempo para ir ao banco devido à correria do mandato.
O cinismo da explicação é evidente, avalia Ricardo Noblat. Destacou-se que um parlamentar dispõe de inúmeros assessores que poderiam realizar o depósito. Além disso, a investigação aponta que um funcionário de Sóstenes movimentou cerca de R$ 11 milhões.
O Ataque como Escudo
Tanto Sóstenes quanto Carlos Jordy adotaram a narrativa de “perseguição política” contra a direita e os conservadores. Em seus pronunciamentos, os deputados tentaram desviar o foco das acusações citando casos externos.
Ao evocar o Judiciário e figuras do governo atual, os parlamentares buscam inflamar sua base eleitoral e fugir das perguntas objetivas sobre as provas colhidas pela PF. Os jornalistas reforçam que, diferentemente da postura de blindagem vista no governo anterior, o atual governo tem se manifestado no sentido de que qualquer irregularidade deve ser investigada – mantendo a autonomia da Polícia Federal.
Conflito Familiar e Silêncio na Câmara
O episódio também revelou rachaduras familiares e institucionais:
– Irmão contra Irmão: Renan Jordy, irmão de Carlos Jordy, aproveitou o momento para atacar o deputado, chamando-o de “vagabundo” e levantando acusações graves sobre o passado do parlamentar.
– A Reação de Hugo Motta: O presidente da Câmara, Hugo Motta, manteve uma postura cautelosa, afirmando que a Casa não protege o que é incorreto, mas evitou comentar denúncias de funcionários fantasmas em seu próprio gabinete.
A operação da PF coloca o PL em uma posição defensiva delicada às vésperas de um ano eleitoral. Enquanto os deputados apostam na retórica da “ditadura do judiciário”, os fatos — como o dinheiro vivo no armário — demandam explicações que, até o momento, parecem distantes da realidade técnica dos processos.

