O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), apresenta nesta quarta-feira (17/12) um balanço das ações do governo em 2025 em evento realizado no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista.
A cerimônia terá como mote a frase “coragem para fazer o impossível” e servirá como gancho para Tarcísio apresentar ações para resolver problemas antigos do estado, como a Cracolândia e a retomada do Rodoanel Norte, que deve ter um trecho entregue neste mês.
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Tarcísio já vem adotando, nos últimos meses, o lema do “fazer o impossível” em discursos recentes. Em agosto, por exemplo, o governador foi a um culto na Igreja Lagoinha de Alphaville, na Grande São Paulo, e falou aos fiéis sobre a crença em vencer “o impossível”. O discurso seguiu em agendas de entrega no interior, dando o tom do que pode ser a sua campanha à reeleição.
Banner no Palácio dos Bandeirantes expõe novo lema do governo Tarcísio
Isso porque, embora alguns aliados ainda afirmem que o governador paulista pode ser candidato à Presidência da República, a permanência de Tarcísio em São Paulo para tentar mais quatro anos de mandato passou a ser mais provável após o lançamento da pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL) ao Palácio do Planalto.
Outras ações que serão ressaltadas por Tarcísio no evento desta quinta-feira serão o avanço das obras da Linha 17-Ouro, a assinatura do contrato para a construção do túnel Santos-Guarujá e o reassentamento da Favela do Moinho, no centro da capital paulista.
Empréstimo de R$ 5 bilhões
Nesta semana, Tarcísio sancionou uma lei que autoriza a contratação de até R$ 4,9 bilhões em empréstimos para investir em uma série de projetos considerados estratégicos para a gestão estadual. A aprovação das operações de crédito ocorre às vésperas da entrada no ano eleitoral.
Com isso, o governo paulista fica autorizado a contratar operações de crédito junto a instituições financeiras nacionais ou internacionais, além de organismos multilaterais e bilaterais, agências de fomento e bancos privados, como o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).
Segundo o governo, os empréstimos já foram encaminhados pela gestão junto a organismos multilaterais e o projeto aprovado pela Assembleia Legislativa (Alesp) e sancionado pelo governador apenas cumpre uma formalidade de autorização legislativa para contratação dos financiamentos. A etapa é necessária para que o Estado faça a assinatura dos contratos e a execução dos investimentos.
Os empréstimos servirão para investimentos nos seguintes projetos:
- PPP das Travessias Hídricas: US$ 175 milhões ou R$ 955,8 milhões
- Expansão da Linha 2-Verde do Metrô: US$ 100 milhões ou R$ 546 milhões
- Programa de Apoio à Gestão e Integração dos Fiscos no Brasil – Profisco III: R$ 750 milhões
- Expansão da PPP da Linha 6-Laranja: US$ 325 milhões ou R$ 1,77 bilhão
- Projeto de Desenvolvimento Rural Sustentável – Agro Paulista Mais Verde: US$ 160 milhões ou R$ 873 milhões
‘Esqueletos’ de Alckmin
Boa parte das obras que podem servir de bandeira para Tarcísio na disputa eleitoral são heranças de construções inacabadas de governos tucanos. Muitas delas foram iniciadas ainda na gestão do hoje vice-presidente Gerlado Alckmin (PSB), na época que ele era govenador paulista pelo PSDB – foram 14 anos à frente do estado –, e adversário político do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Veja as obras atrasadas que podem ser trunfo eleitoral de Tarcísio
- Linha 6-Laranja — A linha vai ligar a Brasilândia, na zona norte, à estação São Joaquim, no centro de São Paulo. De acordo com o governo, a previsão é de que o trecho atenda mais de 630 mil passageiros por dia. A gestão Tarcísio promete entregar a primeira parte da linha, entre a Brasilândia e Perdizes, zona oeste, no segundo semestre de 2026. Já o segundo trecho, entre Perdizes e a estação São Joaquim, tem entrega prevista para 2027. O início da operação da linha chegou a ser previsto para 2012 e depois 2016. A obra foi retomada por João Doria (PSDB) em 2020.
- Linha 17-Ouro — A gestão Tarcísio afirma que as obras da Linha 17-Ouro do Monotrilho estão mais de 90% concluídas. Retomada no início do atual governo, a linha vai ligar o aeroporto de Congonhas à estação Morumbi, na zona sul, da Linha 9-Esmeralda. Tarcísio já afirmou que a previsão é que a operação comercial comece no segundo semestre de 2026. O início das obras da Linha 17 foi autorizado por Alckmin março de 2012.
- Extensão da Linha 2-Verde — Também anunciada em 2012, a extensão da Linha 2-Verde do Metrô foi retomada por Doria em 2020. A obra é dividida em dois trechos: um que vai ligar a Vila Prudente à Vila Formosa, na zona leste da capital, com quatro estações. Essa parte tem previsão de entrega para 2027. Já a segunda etapa, que ligará a Vila Formosa até a Penha, tem conclusão prevista para 2028.
- Túnel Santos-Guarujá — Com o leilão realizado em 5 de setembro, a obra do túnel submerso que vai ligar Santos ao Guarujá, no litoral sul paulista, deve durar cerca de 5 anos. Com investimento compartilhado entre governo estadual e federal, a iniciativa é uma promessa antiga. Ainda em 2013, Alckmin chegou a entregar os estudos de impacto ambiental para a construção do túnel. Doze anos depois, o ex-tucano, como vice-presidente da República, bateu o martelo do leilão junto com Tarcísio na sede da Bolsa de Valores.
- Contorno Tamoios — A obra do Contorno Sul da Rodovia dos Tamoios, que liga as cidades de Caraguatatuba e São Sebastião, no litoral norte, foi entregue em novembro do ano passado, mais de 10 anos depois do início do empreendimento, iniciado por Alckmin. As obras foram paralisadas em 2018 e foram retomadas em 2021, sob João Doria, após diversos problemas.
- Rodoanel Norte — Uma das principais vitrines de Tarcísio, a conclusão do trecho norte do Rodoanel foi uma promessa de campanha do governador. Em 2025, a iniciativa completou 9 anos de atraso. Com 44 km de extensão, a obra começou em 2013, na gestão Alckmin, e deveria ser concluída em 2016.
- Trem Intercidades SP-Campinas — O leilão para a construção do trem intercidades que vai ligar São Paulo a Campinas, no interior paulista, foi realizado em março deste ano. A proposta ganhou tração ainda em 2013. No ano seguinte, Alckmin chegou a usar o projeto como promessa de campanha para a reeleição. O sucessor, João Doria, também falou em retomar o projeto durante sua campanha para o Palácio dos Bandeirantes.

