Morador de Brasília desde 2018, o venezuelano Ricardo Seijas, de 29 anos, celebrou a operação dos Estados Unidos que prendeu o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, na madrugada deste sábado (3/1).
“Eu torcia para que a prisão acontecesse. A alegria e emoção vieram na mesma hora que eu recebi a notícia da minha mãe assim que acordei”, comentou o jovem, que é hoteleiro e empresário.
Ricardo contou que morava em Bolívar, a cerca de 600 km de Caracas, e teve de deixar o país natal após protestar manifestar contra o governo Maduro.
“Eu saí da Venezuela sendo perseguido por me manifestar contra a eleição do ditador Maduro. Eles mataram e perseguiram muita gente”, disse.
O venezuelano veio ao Brasil junto com a mãe e a irmã.
Veja fotos do venezuelano:
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Ricardo em manifestação contra o regime de Maduro quando ainda estava na Venezuela
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Ricardo com uma bandeira da Venezuela em frente ao Congresso Nacional
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Hoteleiro e empresário, Ricardo também se dedica à prática de artes marciais
Material cedido ao Metrópoles
No começo, Ricardo teve dificuldade para se estabelecer em Brasília, onde passou por várias casas até conseguir um emprego.
“Morei por quatro meses na casa da mãe de um amigo até conseguir emprego de garçom em um hotel e, depois, virei recepcionista em outro hotel. Subi de cargo e fiquei lá por três anos, até que adoeci pela carga de trabalho e pedi para sair”, contou.
Depois disso, ele fundou o restaurante Sabor Venezolano, localizado na Vila Planalto. “Hoje tenho outros empreendimentos particulares, além de trabalhar com hotelaria”, explicou.
“Hoje, sete anos depois desse pesadelo todo, eu nunca mais voltei na Venezuela, porque eu estava sendo procurado. Um dos meus amigos que voltou recentemente acabou sendo detido”, detalhou Ricardo.
Mesmo distante do seu país natal, ele ainda possui contato com tios, avós, primos e amigos em Bolívar, e todos eles estão bem.
“Todo mundo entrou em pânico, porque, querendo ou não, são bombardeios e ataques, mas muita gente está celebrando a captura do Maduro”, relatou Ricardo.
EUA x Venezuela
- Os Estados Unidos atacaram, neste sábado (3/1), diversas regiões da Venezuela.
- O presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou que capturou o presidente Nicolás Maduro.
- A Embaixada dos EUA em Bogotá afirmou estar ciente diante das explosões em Caracas e pediu para que nenhum norte-americano viaje até a Venezuela por “nenhum motivo e evite as fronteiras da Venezuela com a Colômbia, o Brasil e a Guiana”.
- Desde o início da ofensiva militar norte-americana na região, sob o pretexto de combater o tráfico internacional de drogas, as tensões se prolongaram.
- Em meio ao agravamento do cenário, Maduro passou a ser o principal alvo das ameaças de Trump. Isso porque o presidente da
Venezuela é apontado como chefe do Cartel de los Soles — grupo recentemente classificado pelos EUA como organização terrorista internacional. - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou neste sábado (3/1), que Nicolás Maduro e sua esposa, Cília Flores, estão a bordo do navio USS Iwo Jima, a caminho de Nova York.
O venezuelano conta que foi procurado por muitos amigos para saber a sua opinião sobre o ataque na Venezuela e a prisão de Maduro. “Muitos me procuraram e me julgaram quando falei minha opinião, mas eu fui expulso e perseguido pelo governo”, disse.
Ricardo e sua família confiam que a prisão de Maduro pode fazer com que o país possa viver uma democracia plena, e confia que a líder da oposição, Maria Corina Machado, possa ser a nova presidente da Venezuela. “A democracia é um direito de vida, e com certeza vai ser reestabelecida”, contou.
