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    Brasiliense vence amaxofobia após 14 anos de sofrimento; saiba o que é

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    Você sabe o que é amaxofobia? O nome, que para muitos pode soar como um palavrão, certamente não é comum nas rodas de conversa mesas de bares, mas o que ela significa é rotina na vida de centenas de pessoas no Distrito Federal. Este é o termo técnico para quem tem pânico de dirigir. A origem do medo em si pode ter origens emocionais, experiências traumáticas ou simples falta de prática.

    Ano novo é época de enfrentar os fantasmas antigos. Mas a autônoma Sebastiana Fonseca, 46 anos, não esperou 2026 para superar os traumas. Após 14 anos longe do volante, por medo, ela reassumiu o volante e voltou a conduzir um carro após participar de um curso oferecido pelo Departamento de Trânsito do Distrito Federal (Detran-DF).

    Sebastiana relata que um trauma vivido logo depois de tirar a CNH a afastou do trânsito por mais de uma década, e que voltou a dirigir após o curso. “Eu ficava nervosa, suava, tremia. Não conseguia dirigir de jeito nenhum”, conta.

    O gatilho para a amaxofobia pode ter origens emocionais, experiências traumáticas ou falta de prática. O curso é voltado justamente para condutores já habilitados que enfrentem esses bloqueios. E, diferentemente do que muitos imaginam, o foco não está na prática do volante, mas no trabalho psicológico.

    A expectativa inicial de Sebastiana era de que ela precisasse de aulas práticas, mas o processo foi totalmente diferente do que imaginava. “É um trabalho psicológico. Quando voltei a dirigir, parecia que eu nunca tinha parado”, relata.

    Para o psicólogo Elias Balthazar, grupos de apoio e cursos como o oferecido pelo Detran-DF são fundamentais para que o condutor entenda a origem do bloqueio. “Dirigir é uma atividade neuropsicológica complexa e não pode ser minimizada”, afirma.

    As aulas são ministradas por examinadores do Detran, com forte atuação de psicólogos. Segundo o gerente da Escola Pública de Trânsito, Marcelo Granja, a proposta é ajudar o condutor a compreender o trânsito de forma mais ampla, e assim reduzir a ansiedade e o medo associado à direção.

    “O curso não é prático. O trabalho é psicológico. A partir do entendimento da via, do veículo e da convivência com outros motoristas, o controle emocional fica mais fácil”, explica Granja.

    Como a carga horária é distribuída?

    O curso tem carga horária de 32 horas, é totalmente teórico, e a metodologia intercala conteúdos como legislação, mobilidade segura e psicologia aplicada à segurança no trânsito, que é o foco de abordagem do curso.

    Após cerca de 30 horas de aula, os participantes passam por um período de 15 dias fora da sala de aula, e fazer exercícios personalizados indicados pelo psicólogo, e sempre acompanhados por uma pessoa de confiança de motorista.

    As duas horas finais de aula são destinadas ao retorno da turma para último encontro, no qual compartilham experiências e avanços, que segundo Granja, são majoritariamente positivos.

    Sobre o curso

    Desde a criação do curso, em 2017, 718 condutores já passaram pela formação, distribuídos em 35 turmas. Após uma pausa em 2018, a iniciativa foi retomada em agosto de 2023. Somente em 2025, foram abertas 10 turmas, com a participação de 195 cursistas.

    Cada turma reúne, em média, 20 alunos, e novas edições podem ser abertas conforme a demanda. Até o momento, segundo o Detran-DF, não há informação de outros estados que ofereçam um curso com o mesmo formato.

    As inscrições são feitas presencialmente na Escola Pública de Trânsito (EPT), com agendamento prévio pelo Portal de Serviços ou pelo aplicativo Detran-DF Digital.

    Segundo o órgão, não há registros de iniciativas semelhantes em outros Departamentos no Brasil.