A busca pelo fim da crueldade animal na moda ganhou força no último ano, com leis e acordos que diminuíram práticas de exploração em todo o mundo. Esse combate deve se intensificar em 2026, graças a metas internas e pressões externas sobre a indústria. Entre as principais mudanças estão semanas de moda sem pele animal e a proibição de atividades controversas, que desde já passam a valer. Contudo, apesar de algumas marcas demonstrarem o avanço, outras ainda fecham os olhos para o novo momento no mercado.
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Algumas práticas de extração de lã são condenadas na indústria
Avanços em 2025
O ano de 2025 funcionou como um ponto de virada no avanço pelo fim da crueldade animal na moda. Em março, a mobilização contra o mulesing — uma prática controversa de corte de lã de cordeiros vivos — ganhou visibilidade internacional.
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Em maio, uma sequência de anúncios marcou o setor: a Shein baniu a venda de itens com peles e couros exóticos; a Australian Fashion Week proibiu materiais derivados de vida selvagem; e a Asics se comprometeu a abandonar o uso de pele de canguru em seus calçados.
Louis Vuitton está entre as marcas que ainda usam pele animal na passarela
Nos meses seguintes, outras determinações geraram otimismo entre protetores dos animais, como quando a Suécia proibiu a importação de peles produzidas com crueldade. Ao mesmo tempo, a Condé Nast — responsável pela revista Vogue — anunciou que deixaria de publicar imagens de roupas feitas de pele e a Polônia baniu a criação de animais com este fim específico.
Em 2025, protestos ao redor do mundo lutaram pelo fim da crueldade animal na indústria. Confira alguns dos casos:
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Protesto em Londres
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Grupo simulou “banho de sangue” em protesto contra o uso de pele animal
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Manifestante vestida de cobra na Malásia
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Ações costumam ser “teatrais”
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Outro ato em Londres
Vuk Valcic/SOPA Images/LightRocket via Getty Images
Protesto contra uso de pele animal
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Manifestante na Índia
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Marcas agem contra a crueldade animal
Ainda em 2025, diferentes etiquetas e grifes determinaram limites e proibições sobre o uso de materiais de origem animal em suas produções. Um exemplo foi o designer Rick Owens, que anunciou o fim definitivo das peles em suas coleções futuras.
Dentro desse cenário, algumas marcas despontam como líderes da transformação. Stella McCartney segue investindo em alternativas, como penas veganas para a coleção SS26. A Ganni avançou com o uso de couro à base de azeitona, enquanto a H&M anunciou ter atingido sua meta de utilizar apenas lã totalmente certificada e livre de práticas cruéis. Outras grifes, como Celine, Patou, Save the Duck e MioMojo, também aparecem como referências em relatórios do setor.
Rick Owens deu um fim ao uso de peles
Nem tudo é avanço
Por outro lado, a movimentação não é aderida por toda a indústria. O relatório recém-lançado Behind the Wool apontou a Michael Kors como a marca de pior desempenho em relação ao tratamento de animais.
A gigante da moda LVMH, que agrega marcas como Louis Vuitton, Dior, Fendi, Tiffany & Co e Bulgari, segue sendo alvo de críticas por manter o uso de peles e adotar estratégias corporativas contrárias a proibições mais amplas.
Louis Vuitton segue sendo criticada pelo negligência à crueldade com animais
NYFW sem peles em 2026
O ano de 2026 começa sendo decisivo para a consolidação das mudanças anunciadas. Na Europa, a expectativa é de que a Comissão Europeia apresente, em março, uma proposta que pode redefinir o futuro da criação de animais destinados à produção de peles.
Uma das grandes mudanças anunciadas nos últimos meses e que será aplicada a partir deste ano é o fim das peles no New York Fashion Week. Em dezembro, o Conselho de Designers de Moda da América (CFDA) anunciou que deixará de promover o uso de peles de origem animal em qualquer evento da semana de moda.
Semana de Moda de Nova York baniu o uso de pele animal
A mudança passa a valer em setembro de 2026 e é resultado de anos de diálogo com a Humane World for Animals e a Collective Fashion Justice. Até lá, o CFDA prometeu apoiar os designers durante a transição, incluindo com a oferta de recursos para materiais alternativos.
No setor, a expectativa é de que as semanas de moda de Milão e Paris, dois dos principais polos da moda global, sigam o mesmo caminho no futuro, mas ainda não há indicação de que isso aconteça neste ano.
Protesto vegano em NY
