O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, desembarcou em Nova York, nos Estados Unidos, na noite de sábado (3/1), após ser capturado por militares norte-americanos em Caracas. Nos próximos dias, o endereço do líder venezuelano deve ser o Centro de Detenção Metropolitano (MDC) do Brooklyn, lugar chamado de “prisão dos famosos”, que abriga mais de 1,3 mil detentos.
Maduro seguirá preso enquanto aguarda julgamento pelos crimes de narcoterrorismo e tráfico internacional de drogas. A acusação prevê pena mínima de 20 anos de prisão, podendo chegar à prisão perpétua, conforme denúncia apresentada em Nova York.
O líder venezuelano deve ficar detido em uma penitenciária federal, e a única disponível em Nova York é o MDC do Brooklyn, um lugar constantemente descrito como “precário”, “violento” e “um inferno na Terra”.
Construída na década de 1990, a instalação já abrigou diversos presos famosos como o rappers R. Kelly (preso por crimes sexuais contra menores) e Sean “Diddy” Combs (condenado por tráfico sexual e mais).
O traficante Joaquín “El Chapo” Guzmán, chefe do Cartel de Sinaloa, também ficou detido no local antes de ser condenado à prisão perpétua. A socialite Ghislaine Maxwell — ex-esposa de Jeffrey Epstein — também teve uma estadia no local.
Até um nome brasileiro aparece entre os presos: o ex-presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), José Maria Marin, detido no local em 2017.
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Violência e precariedade
A unidade prisional, localizada em uma área industrial na orla de Brooklyn, abriga cerca de 1,3 mil detentos no momento. A maioria são pessoas que ainda guardam julgamento em tribunais federais de Nova York — o caso de Maduro.
O centro tem instalações recreativas ao ar livre, unidade médica com consultórios e um consultório odontológico.
No entanto, há denúncias de violência extrema, escassez de funcionários e tráfico generalizado de drogas e outros produtos ilícitos.
Documentos judiciais mostraram que o MDC do Brooklyn operava com apenas 55% do quadro de funcionários em 2024. No mesmo ano, ao menos três presos morreram esfaqueados dentro da unidade, além de dezenas de outros episódios de violência que terminaram com feridos.
A violência do local foi citada pelos advogados de Sean “Diddy” Combs para tentar garantir uma prisão domiciliar para o rapper. A defesa destacou os assassinatos e afirmou que o MDC do Brooklyn “não é lugar para ninguém ser mantido preso”.
Maduro chega aos EUA
A Casa Branca divulgou imagens do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, capturado pelo governo norte-americano, algemado e desejando “boa noite” aos agentes que o aguardavam nos Estados Unidos.
São as primeiras imagens em que o rosto de Maduro aparece desde a captura. O líder venezuelano encontra-se sob custódia na agência antidrogas dos Estados Unidos em Nova York.
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Nicolás Maduro chega aos Estados Unidos
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Maduro estava a bordo do navio USS Iwo Jima, mas foi transferido para uma aeronave que conduziu o presidente venezuelano a Nova York. Ele chegou junto a esposa Cilia Flores na Base Aérea da Guarda Nacional de Stewart.
Em entrevista à Fox News, logo após a prisão, Trump afirmou que acompanhou a ação como se fosse um “programa de TV”.
“Bem, nós assistimos a tudo de uma sala. Estávamos cercados por muitas pessoas, incluindo generais, e eles sabiam de tudo o que estava acontecendo. E era muito complexo, extremamente complexo”, afirmou por telefone.
Em seguida, o presidente acrescentou: “Na verdade, eles simplesmente invadiram, invadiram lugares em que não era permitido, arrombaram portas de aço que foram instaladas justamente para isso, e foram eliminados em questão de segundos. Nunca vi nada parecido”, completou.
O governo venezuelano informou que ao menos 40 pessoas morreram durante o confronto na madrugada deste sábado (3/1). A informação foi publicada pelo The New York Times.
Segundo o jornal, um alto funcionário do governo da Venezuela confirmou o número e indicou que entre as vítimas há civis e soldados.
