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MÁRCIO BITTAR E A DEPENDÊNCIA DO ANTIPETISMO NA DISPUTA PELO SENADO

O senador Márcio Bittar construiu sua trajetória política recente encarnando, de forma explícita, a figura do anti-PT. 

Essa postura não é apenas retórica: ela cria um imaginário específico no eleitorado, baseado na ideia de confronto direto com o Partido dos Trabalhadores e tudo o que ele simboliza no Acre. E com a esquerda, claro. 

Esse posicionamento funciona eleitoralmente quando existe, do outro lado, um adversário que represente de maneira clara o campo petista. É exatamente nesse ponto que entra o nome de Jorge Viana: o maior símbolo da esquerda local. 

Com Jorge Viana candidato ao Senado, Márcio Bittar passa a ter um cenário favorável para disputar a segunda vaga, pois a presença de um petista competitivo ativa o sentimento antipetista de parte expressiva do eleitorado. 

A “ameaça petista” organiza o voto de rejeição e fortalece candidaturas que se apresentam como seu oposto direto.

O problema começa quando Jorge Viana não é candidato ao Senado.

Sem um nome forte do PT na disputa, o potencial eleitoral antipetista de Márcio Bittar se dissolve. 

Ele passa a enfrentar candidatos como Mara Rocha e outros nomes da direita que, embora conservadores, não são percebidos pelo eleitor como representantes do PT ou como algo a ser combatido ideologicamente.

Nesse cenário, a eleição deixa de ser um plebiscito “PT versus anti-PT” e se transforma numa disputa dentro do próprio campo da direita. E aí Márcio Bittar perde seu principal diferencial simbólico.

Mara Rocha, por exemplo, também é de direita, mas não carrega a imagem de antagonista direto do PT. Isso a torna mais palatável para um eleitorado conservador que não está mobilizado pelo medo ou rejeição ao petismo. Assim, sem Jorge Viana na disputa, a tendência é que Mara se torne a favorita à segunda vaga.

Em síntese, a análise indica que Márcio Bittar hoje depende politicamente da candidatura de Jorge Viana.

Com Jorge Viana candidato, a chance de Márcio Bittar crescer e disputar a segunda vaga é grande.

Sem Jorge Viana, o antipetismo perde força como motor eleitoral, e a vantagem tende a migrar para Mara Rocha.

* Edinei Muniz é  professor  e advogado

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