Servidores da área técnica do Tribunal de Contas da União (TCU) que irão analisar documentos da liquidação extrajudicial do Master em posse do Banco Central vão passar por um rigoroso sistema de controle exigido pela autoridade monetária.
Os técnicos terão suas consultas rastreadas pelo Banco Central e deverão assinar até termos de confidencialidade.
7 imagens



Fechar modal.![]()
1 de 7
Daniel Vorcaro
Fraga Alves/Metrópoles
2 de 7
Daniel Vorcaro, dono do Banco Master
Reprodução/Internet
3 de 7
Daniel Vorcaro
Divulgacao
4 de 7
Banco Master
Michael Melo/Metrópoles
5 de 7
Banco Master
Michael Melo/Metrópoles
6 de 7
Sede do Banco Master
Michael Melo/Metrópoles
7 de 7
Reprodução/Banco Master
“O acesso às decisões e aos documentos que embasaram as ações relacionadas ao caso Master será disponibilizado em ambiente seguro, no âmbito do BCB, com observância estrita aos dispositivos legais que regem a matéria, notadamente os sigilos bancário e empresarial”, explicou o Banco Central ao TCU, em documento sigiloso obtido pela coluna.
Confira as medidas exigidas pelo Banco Central para disponibilizar os documentos sigilosos:
⦁ controle de credenciais e perfis de acesso;
⦁ registro e rastreabilidade das consultas;
⦁ consulta in loco ou em repositório eletrônico seguro, vedada a reprodução não autorizada; e
⦁ assinatura de termo de confidencialidade, quando cabível.
Leia também
-
Caso Master: TCU vai inspecionar documentos que estão no Banco Central
-
BC responde TCU sobre Master, detalha supostas irregularidades e cita nova investigação
A área técnica do TCU irá fazer uma análise nesses documentos antes de o órgão tomar uma decisão sobre o processo que apura eventuais falhas na liquidação extrajudicial do Master.
Na semana passada, o BC detalhou ao tribunal de contas todo o histórico para decretar a liquidação do Master, elencou uma série de supostas irregularidades encontradas e, por fim, relatou a existência de investigação enviada ao Ministério Público Federal (MPF) sobre novas fraudes que teriam sido cometidas pelo banco para tentar continuar funcionando.
A resposta do Banco Central foi enviada após o ministro do TCU Jhonatan de Jesus solicitar, no último dia 18, esclarecimentos a respeito de supostos indícios de precipitação na liquidação do Master, conforme revelou a coluna.
Ministro do TCU Jhonatan de Jesus
Veja as supostas irregularidades listadas pelo BC e que motivaram a liquidação extrajudicial do Master:
⦁ atrasos nas entregas de documentos regulamentares e contáveis;
⦁ esgotamento de carteiras de crédito geradoras de fluxo de caixa;
⦁ comprometimento da solvência do conglomerado;
⦁ incapacidade de recompor minimamente o recolhimento compulsório sobre depósitos a prazo;
⦁ realização de operações estruturadas com clientes da linha corporate que não geraram fluxos financeiros relevante, sem observância dos princípios de garantia, liquidez e diversificação de riscos; e
⦁ cessão de carteiras de crédito ao BRB com operações insubsistentes ou com ativos cuja existência não poderia ser comprovada.
O Banco Central apontou que um suposto gerenciamento inadequado do risco de crédito contribuiu para o agravamento da crise de liquidez do conglomerado do Master.
“Ainda em função da atipicidade das operações, o Banco Central apurou a existência de irregularidades relacionadas a: insuficiência de capital, como resultado de ajustes determinados após se apurar que haviam sido prestadas informações incorretas à Autarquia; inexistência de ativos líquidos na composição de fundo de liquidez que dava amparo às operações estruturadas de longo prazo; e não atendimento de normas relativas ao gerenciamento do risco de crédito, inclusive por depender de informações prestadas por terceiros”, detalha o Banco Central.
BC cita nova investigação enviada ao MPF após liquidação do Master
No ofício, o BC relata ainda que enviou ao Ministério Público Federal, em 25 de novembro de 2025, ou seja, após a decretação da liquidação extrajudicial do Master, uma comunicação de crime por “indícios de condutas relacionadas à gestão fraudulenta de instituição financeira, à realização de operação simulada ou sem lastro e ao emprego de artifícios destinados a criar aparência de legalidade para operações desprovidas de substância econômica”.
“As evidências colhidas sugerem que os recursos provenientes do Banco Master foram reciclados por meio de uma cadeia de fundos e sociedades interpostas, de modo a conferir aparência formal de autonomia às transações, embora mantivessem a mesma origem e o mesmo beneficiário econômico final. Tal dinâmica, além de violar princípios de transparência e segregação fiduciária, pode configurar fraude na gestão e simulação de operações financeiras, nos termos da legislação penal aplicável”, prosseguiu o banco.
