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    Mauro Vieira interrompe férias após ataque dos EUA à Venezuela

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    O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, retornará para Brasília neste sábado (3/1) em meio à reação do governo brasileiro sobre o ataque dos Estados Unidos à Venezuela e a captura de Nicolás Maduro. O chanceler entrou de férias em 21 de dezembro e tinha previsão de retorno ao trabalho na próxima quarta-feira (7/1).

    Segundo informações do MRE, ele deve chegar na capital federal até o início da madrugada deste domingo (4/1).

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    Vieira participou de forma remota da reunião de emergência do governo brasileiro convocada para discutir a situação e coordenada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) — que também participou por videoconferência.

    O petista está de férias na Restinga de Marambaia, base da Marinha no Rio de Janeiro. Até então, o titular do Planalto pretendia manter o recesso até a segunda-feira (6/1), retornando ao trabalho no dia seguinte. Ele, porém, aguarda informações sobre o desenrolar dos fatos para decidir se retornará antes para Brasília.

    Participaram presencialmente da reunião, no Palácio Itamaraty, o ministro da Defesa, José Múcio; a embaixadora Maria Laura da Rocha, secretária-geral das Relações Exteriores; a ministra interina da Casa Civil, Miriam Belchior; e diplomatas do Itamaraty e da Presidência da República. O titular da Casa Civil, Rui Costa, também está de férias e afastado do cargo.

    Fronteira segue aberta

    Em declaração à imprensa após a reunião, o ministro da Defesa informou que a fronteira do Brasil com a Venezuela segue aberta, segura e “tranquila”.

    “A fronteira está absolutamente tranquila. Nós já temos um contingente suficiente de homens e equipamentos para garantir segurança e dar tranquilidade. Estamos monitorando a situação o tempo todo”, disse.

    Ainda segundo Múcio, não há registro, até o momento, de brasileiros entre as vítimas dos ataques: “A comunidade brasileira está tranquila e nenhuma ocorrência até o momento. Os turistas que lá estão estão conseguindo sair, normalmente, com qualidade total com relação à comunidade brasileira”.

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    Lula e Maduro se encontram antes da cúpula dos países sul-americanos

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    O ditador Nicolás Maduro e Lula

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    EUA x Venezuela

    • Os Estados Unidos atacaram, neste sábado (3/1), diversas regiões da Venezuela.
    • O presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou que capturou o presidente Nicolás Maduro.
    • A Embaixada dos EUA em Bogotá afirmou estar ciente diante das explosões em Caracas e pediu para que nenhum norte-americano viaje até a Venezuela por “nenhum motivo e evite as fronteiras da Venezuela com a Colômbia, o Brasil e a Guiana”.
    • Desde o início da ofensiva militar norte-americana na região, sob o pretexto de combater o tráfico internacional de drogas, as tensões se prolongaram.
    • Em meio ao agravamento do cenário, Maduro passou a ser o principal alvo das ameaças de Trump. Isso porque o presidente da Venezuela é apontado como chefe do Cartel de los Soles — grupo recentemente classificado pelos EUA como organização terrorista internacional.

    Nova reunião do governo

    Às 17h deste sábado, o governo federal realizará uma nova reunião para tratar do ataque dos EUA à Venezuela. O encontro será coordenado pelo Itamaraty, por videoconferência, e deve reunir novamente ministros e assessores do presidente Lula.

    “Nova reunião está prevista para o final da tarde de hoje para a atualização da situação. A reunião será aqui no Itamaraty, por videoconferência, como foi esta agora de dia”, informou a embaixadora Maria Laura da Rocha.

    Lula diz que ataque é “inaceitável”

    Mais cedo, Lula condenou o ataque norte-americano, dizendo que a ação “ultrapassa uma linha inaceitável”.

    “Esses atos representam uma afronta gravíssima à soberania da Venezuela e mais um precedente extremamente perigoso para toda a comunidade internacional”, disse o presidente em publicação no X.

    Ele acrescentou ainda que, “atacar países, em flagrante violação do direito internacional, é o primeiro passo para um mundo de violência, caos e instabilidade, onde a lei do mais forte prevalece sobre o multilateralismo”.

    “A condenação ao uso da força é consistente com a posição que o Brasil sempre tem adotado em situações recentes em outros países e regiões. A ação lembra os piores momentos da interferência na política da América Latina e do Caribe e ameaça a preservação da região como zona de paz”, destacou Lula.

    O presidente brasileiro pediu ainda para que a comunicada internacional, por meio da Organização das Nações Unidas (ONU), responda “de forma vigorosa a esse episódio”.