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    Para onde vão as árvores de podas após tempestades na cidade de SP

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    A queda de árvores em São Paulo não é um evento raro. A população se habituou a lidar com troncos e galhos espalhados pela capital, especialmente após tempestades e vendavais, como o ciclone extratropical que, ao passar pela cidade em dezembro, derrubou mais de 500 árvores, segundo o Corpo de Bombeiros.

    Entre os problemas, são comuns estragos na rede elétrica com desabastecimento de energia, danos materiais e risco de acidentes fatais. Mas o tema desperta uma dúvida que nem todo paulistano sabe responder: o que ocorre depois que uma árvore cai na cidade?

    Para onde vão as árvores de podas após tempestades na cidade de SP - destaque galeria16 imagensÁrvores de fora dos parques são reaproveitadas em caráter emergencialA primeira etapa do reaproveitamento acontece em um pátio na Vila LeopoldinaAs toras com medidas e características adequadas são separadas para a confecção de móveisO restante do material é triturado e transformado em um composto orgânico chamado de cavacoO cavaco é utilizado em canteiros de plantas e trilhas, ou enviado para composteiras e transformado em aduboFechar modal.MetrópolesA Prefeitura de São Paulo possui uma iniciativa para reaproveitar árvores que caem em parques públicos1 de 16

    A Prefeitura de São Paulo possui uma iniciativa para reaproveitar árvores que caem em parques públicos

    Rodrigo Tammaro/MetrópolesÁrvores de fora dos parques são reaproveitadas em caráter emergencial2 de 16

    Árvores de fora dos parques são reaproveitadas em caráter emergencial

    Rodrigo Tammaro/MetrópolesA primeira etapa do reaproveitamento acontece em um pátio na Vila Leopoldina3 de 16

    A primeira etapa do reaproveitamento acontece em um pátio na Vila Leopoldina

    Rodrigo Tammaro/MetrópolesAs toras com medidas e características adequadas são separadas para a confecção de móveis4 de 16

    As toras com medidas e características adequadas são separadas para a confecção de móveis

    Rodrigo Tammaro/MetrópolesO restante do material é triturado e transformado em um composto orgânico chamado de cavaco5 de 16

    O restante do material é triturado e transformado em um composto orgânico chamado de cavaco

    Rodrigo Tammaro/MetrópolesO cavaco é utilizado em canteiros de plantas e trilhas, ou enviado para composteiras e transformado em adubo6 de 16

    O cavaco é utilizado em canteiros de plantas e trilhas, ou enviado para composteiras e transformado em adubo

    Rodrigo Tammaro/MetrópolesA maior parte da madeira recolhida após temporais chega quebrada ou com dejetos, por isso costuma ser transformada em cavaco7 de 16

    A maior parte da madeira recolhida após temporais chega quebrada ou com dejetos, por isso costuma ser transformada em cavaco

    Rodrigo Tammaro/MetrópolesJá as toras apropriadas para a fabricação de móveis são separadas e recebem um primeiro tratamento. Chapas de alumínio evitam rachaduras8 de 16

    Já as toras apropriadas para a fabricação de móveis são separadas e recebem um primeiro tratamento. Chapas de alumínio evitam rachaduras

    Rodrigo Tammaro/MetrópolesA madeira para fabricação de móveis é enviada para a segunda etapa do reaproveitamento9 de 16

    A madeira para fabricação de móveis é enviada para a segunda etapa do reaproveitamento

    Rodrigo Tammaro/MetrópolesOs móveis são fabricados na marcenaria do Parque Anhanguera, na zona norte de São Paulo10 de 16

    Os móveis são fabricados na marcenaria do Parque Anhanguera, na zona norte de São Paulo

    Rodrigo Tammaro/MetrópolesA madeira é cortada em chapas e passa por uma secagem para evitar farpas e empenamento11 de 16

    A madeira é cortada em chapas e passa por uma secagem para evitar farpas e empenamento

    Rodrigo Tammaro/MetrópolesApós a secagem, os marceneiros começam a fabricação12 de 16

    Após a secagem, os marceneiros começam a fabricação

    Rodrigo Tammaro/MetrópolesTodos os móveis fabricados são enviados para uso nos parques municipais13 de 16

    Todos os móveis fabricados são enviados para uso nos parques municipais

    Rodrigo Tammaro/MetrópolesAs administradoras dos parques solicitam uma vistoria da prefeitura, que define o que será produzido14 de 16

    As administradoras dos parques solicitam uma vistoria da prefeitura, que define o que será produzido

    Rodrigo Tammaro/MetrópolesOs móveis são utilizados nas áreas comuns e administrativas dos parques15 de 16

    Os móveis são utilizados nas áreas comuns e administrativas dos parques

    Rodrigo Tammaro/MetrópolesDesde o início do programa, em 2024, foram fabricados 45 bancos, 8 escorregadores, 
41 conjuntos de piquenique e diversos outros materiais16 de 16

    Desde o início do programa, em 2024, foram fabricados 45 bancos, 8 escorregadores,
    41 conjuntos de piquenique e diversos outros materiais

    Rodrigo Tammaro/Metrópoles

    Ela pode tanto se transformar em um mobiliário quanto compostagem gratuita à população a partir de uma iniciativa da prefeitura de reaproveitar o material de podas e quedas de árvores em parques municipais.

    O que é cavaco

    A primeira etapa do reaproveitamento de árvores e galhos na capital paulista, maioria eucaliptos, é o envio para um pátio na Vila Leopoldina, zona oeste de São Paulo, onde o material passa por uma seleção: as toras com medidas e características adequadas são separadas e enviadas para a produção de móveis, que posteriormente serão concedidos a parques públicos.

    Já os troncos, galhos e folhas inapropriados para a confecção moveleira — que representam o maior volume — são triturados e transformados em um resíduo vegetal chamado de cavaco.

    Esse material triturado pode ser utilizado, por exemplo, para substituir as britas usadas em canteiros de plantas e trilhas nos parques.

    “Ao invés de usar pedras para forrar os espaços, usamos essa madeira triturada”, afirma a engenheira florestal Isabel Jorge, que supervisiona o pátio de recebimento de toras.

    “A drenagem é melhor, ela previne ervas daninhas e é mais ecológica. Quando o cavaco entra em decomposição, é só substituir. Fica mais prático”, acrescenta ela ao Metrópoles.

    Outra alternativa é a compostagem. Esse é o uso mais comum do material de tempestades, já que geralmente a madeira é recolhida com outros resíduos, como plásticos e tecidos.

    O cavaco “contaminado” é distribuído para outros espaços de compostagem espalhados pela cidade, onde é misturado com restos de frutas, verduras e legumes oriundos de feiras e transformado em adubo, o que leva aproximadamente 120 dias.

    O produto, usado em jardins e praças públicas, é distribuído gratuitamente para a população.

    Segundo a Secretaria Municipal das Subprefeituras (SMSUB), a prefeitura possui seis pátios de compostagem. Cada um recebe entre 300 e 400 toneladas de resíduos de poda por ano.

    O processo de secagem

    No caso da confecção de móveis, o caminho é diferente. O material selecionado no pátio da Vila Leopoldina é transformado em pranchas de madeira e enviado para uma marcenaria do Parque Anhanguera, na zona norte, onde ocorre a segunda etapa do reaproveitamento.

    Antes, as pranchas são colocadas para secagem. O processo leva cerca de dois meses com o intuito de preservar a qualidade do material e evitar fiapos ou empenamento. Em seguida, começa a produção, a cargo da empresa Florestana, de acordo com a demanda dos parques gerenciados pela Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente (SVMA).

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    “Os administradores entram em contato com a SVMA e solicitam os móveis. Nosso arquiteto faz uma vistoria e verifica qual é a necessidade específica daquele parque”, diz a engenheira.

    Os móveis são finalizados com verniz naval para aumentar a resistência. Não são pintados porque a intenção é manter o aspecto mais natural e rústico.

    A transformação

    Desde fevereiro de 2024, foram produzidos pela Florestana:

    • 45 bancos
    • 8 escorregadores
    • 41 conjuntos de piquenique (compostos por uma mesa e dois bancos)
    • 201 unidades de cerquinhas
    • 3 passarelas
    • 15 placas
    • 1 guarita de segurança
    • 201 unidades de cerquinhas
    • Mais de 2 mil bolachas de madeira
    • Também foram fornecidos materiais para manutenção dos parques, como o madeiramento de 50 balanços, 48 bancos com estrutura de ferro ou concreto e 13 mesas com estrutura de concreto.
    • Para outros tipos de manutenção, foram entregues mais de 110 peças diversas.

    Os benefícios

    O reaproveitamento de madeira originada de podas e quedas de árvores tem importância ecológica, econômica e social.

    Além de diminuir o desperdício, a iniciativa aproveita um resíduo, que seria descartado em aterros, na fabricação de produtos de qualidade, bem como amplia a produção de composto orgânico nas composteiras.

    O processo todo economiza matéria-prima, reduz o deslocamento dos caminhões, que se deslocariam a aterros distantes, e gera empregos no município.

    Além disso, segundo os profissionais diretamente envolvidos no reaproveitamento de madeira, a principal realização de todo o processo é o fornecimento de produtos de qualidade a frequentadores dos parques.

    “Teve uma vez em que eu ajudei a montar móveis no parque Chico Mendes, na zona leste. Montamos três mesas e fomos trabalhar em outra área. Pouco tempo depois, quando a gente passou lá de novo, umas 15 pessoas já estavam usando as mesas”, lembrou o arquiteto Daniel Henrique Conti, que realiza as vistorias para definir quais móveis serão fabricados. “Muitas vezes o pessoal fica esperando e pergunta se a gente vai demorar, porque eles já querem usar. Ficamos bem felizes com isso, porque é um trabalho sendo valorizado e também um retorno para a cidade.”

    Uma reforma na marcenaria do Parque Anhanguera promete ampliar o reaproveitamento de árvores na capital. Enquanto isso, a SMVA também estuda formalizar o uso da madeira fora dos parques.

    “Espero que aumente cada vez mais, porque é muito gostoso de ver os parques mais bonitos e naturais. Espaços que antes estavam abandonados, hoje têm uma estrutura sensacional por causa do reaproveitamento. Seria preciso definir os detalhes com a secretaria, mas a demanda existe. E a população pode usufruir”, concluiu Isabel.