Entre negociações, incertezas e riscos, o cessar-fogo entre Israel e Hamas enfrentou diversos altos e baixos ao longo de 2025. Com o retorno de Donald Trump à presidência dos Estados Unidos, tratativas avançaram, também mediadas pelo Catar, Egito e Turquia. Ainda assim, a paz não se consolidou na região mais afetada pela guerra: a Faixa de Gaza.
Em outubro de 2025, o governo israelense anunciou que havia aprovado um acordo de cessar-fogo em Gaza. Desde o segundo semestre de 2024, o plano de paz vinha sendo negociado com a mediação do Catar, dos Estados Unidos e do Egito, mas encontrava entraves.
Em 2025, o aumento da ofensiva israelense em Gaza gerou revolta em diversos países, especialmente entre os principais mediadores do cessar-fogo, como o Egito, que condenou os ataques e rejeitou a “agressão de Israel ”.
Estima-se que ao menos 70 mil pessoas morreram na Faixa de Gaza por conta dos ataques israelenses desde o outubro de 2023, segundo o Ministério da Saúde do território palestino.
Israel x Hamas
- Um acordo de cessar-fogo entre Israel e Hamas foi finalmente alcançado após dois anos de conflitos intensos na Faixa de Gaza, no dia 9 de outubro.
- O anúncio foi dado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, segundo o qual informou que ambos assinaram a primeira fase do cessar-fogo.
- A primeira fase se destaca pelo cessar-fogo imediato e a libertação de cerca de 2 mil prisioneiros palestinos após o reféns retornarem a Israel.
- Ao fim do cumprimento dos termos acordados na primeira etapa, outros pontos do plano de paz começam a ser abordados.
- As ofensivas tiveram início em 7 de outubro de 2023, quando o Hamas atacou Israel, matando cerca de 1.200 pessoas e sequestrando dezenas.
Com a volta de Trump ao poder, ele se colocou como o principal mediador do cessar-fogo entre Israel e Hamas e anunciou, no dia 9 de outubro, o fim da guerra em Gaza — dias depois de divulgar um plano de paz com 20 pontos, que inclui a desmilitarização do Hamas, a criação de uma comissão de paz e a troca de reféns israelenses e palestinos.
A dinâmica do acordo é dividida em três fases, que previam uma pausa total nos ataques e a troca de reféns israelenses e de palestinos detidos, vivos ou mortos.
Até o momento, o pacto permanece na primeira fase, mas, segundo Trump, a segunda fase já está em andamento.
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Para João Miragaya, mestre em história pela Universidade de Tel-Aviv, assessor do Instituto Brasil-Israel e membro do podcast Do Lado Esquerdo do Muro, o primeiro cessar-fogo na Faixa de Gaza “cumpriu exatamente aquilo que ele se comprometeu a fazer, que era uma pausa para que o Hamas soltasse as sequestradas mulheres e crianças”.
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FAIXA DE GAZA – 10 DE OUTUBRO: Palestinos carregando seus pertences retornam às suas casas após o acordo de cessar-fogo na Faixa de Gaza em 10 de outubro de 2025
Hassan Jedi/Anadolu via Getty Images
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Fumaça sobe sobre a Cidade de Gaza após um ataque israelense, visto de Nuseirat
Khames Alrefi / Anadol / Getty Images
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Milhares de pessoas retornam para a cidade de Gaza após cessar-fogo
Hassan Jedi/Anadolu via Getty Images
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Itamaraty expressa preocupação com flotilha vai para Faixa de Gaza
Reprodução/Redes Sociais
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Criança em Gaza
UNDP PAPP/Abed Zagout
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Uma organização de caridade distribuiu alimentos para palestinos que enfrentam sérias dificuldades no acesso a necessidades básicas devido ao bloqueio e às operações militares contínuas de Israel na Faixa de Gaza, em 24 de julho de 2025
Ali Jadallah/Anadolu via Getty Images
Miragaya acrescentou ainda que, mesmo as violações, não dá para dizer que é o acordo de paz seja frágil, porque ele “está durando, ainda que não tenha acordo sobre a parte dois”.
“O interesse pelo cessar-fogo em si é maior do que o interesse pelas condições para que ele possa ser concretizado, ou seja, quem quer manter o cessar-fogo acontecendo tem a pausa da guerra como prioridade”, pontuou Miragaya.
Gaza sem paz
Após o anúncio do fim da guerra, inúmeros palestinos começaram a retornar à região. O recuo das tropas israelenses facilitou o retorno das pessoas que passaram dois anos sob cerco de bombardeios, fome e destruição.
Apesar do acordo, Gaza, de fato, não saiu do alvo do exército israelense, que afirma continuar com ofensivas em lugares específicos para atingir membros do grupo Hamas.
O Ministério da Saúde Palestino em Gaza, controlado pelo Hamas, afirmou que cerca de 356 palestinos foram mortos em ataques israelenses desde o cessar-fogo.
As forças israelesens, por sua vez, afirmaram que as tropas “permanecem deslocadas de acordo com o cessar-fogo e continuarão atuando para eliminar qualquer ameaça imediata”.
A Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina no Próximo Oriente (UNRWA, na sigla em inglês) denunciou a fome no território, que, segundo eles “ressalta a fragilidade dos avanços desde o início do cessar-fogo em outubro”.
“Embora a província de Gaza não esteja mais classificada como em situação de fome, 1,6 milhão de pessoas ainda enfrentam altos níveis de insegurança alimentar aguda”, afirmou a agência.
Eles pontuaram que, para acabar com a situação, “é preciso que os suprimentos cheguem em grande escala e que os trabalhadores humanitários possam fazer seu trabalho”. As agências da ONU denunciam que Israel não está permitindo a liberação de suprimentos essenciais para Gaza.
“A UNRWA possui cestas de alimentos para 1,1 milhão de pessoas e farinha para toda a população que aguarda entrar na Faixa de Gaza”, pontuou a agência.
Desmilitarização do Hamas
Em um dos 20 pontos apresentados por Trump para estabelecer a paz em Gaza, está a desmilitarização do grupo radical Hamas, que afirma que não realizará tal ato, alegando ter o direito de se proteger contra Israel.
Miragaya diz não acreditar na desmilitarização do grupo, pois não há concordância da parte deles. “Pode acontecer do Hamas fazer uma desmilitarização de fachada, pressionado pelos países árabes que bancam acordo com o Catar e a Turquia, mas não até o fim porque isso vai contra os princípios ideológicos do Hamas”, contou o especialista.
O especialista completa que o cenário mais provável para os próximos anos é que as fases dois e três do cessar-fogo não saiam do papel. Os dois lados permaneceriam na primeira fase, mantendo-se no meio termo “durante meses ou até anos”.
