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ABDI busca no Pará modelos de sucesso para indústria de açaí no Acre

_Missão técnica vai orientar criação do Complexo Industrial de Feijó e aposta na agregação de valor à produção da agricultura familiar_

Representantes da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) e da Cooperativa de Produtores, Coletores e Batedores de Açaí de Feijó (AçaíCoop) realizaram, entre os dias 3 e 5 de março, uma agenda de visitas técnicas a indústrias e fabricantes de maquinários em diferentes municípios do Pará. A missão faz parte da etapa de estruturação do Complexo Industrial do Açaí de Feijó, iniciativa do programa Coopera+ voltada à industrialização de cooperativas e ao fortalecimento de cadeias produtivas.

A imersão técnica busca identificar referências de excelência em automação, logística e segurança alimentar. O objetivo é que a futura unidade industrial no Acre, que deve beneficiar diretamente mais de 2 mil famílias dos municípios de Feijó, Tarauacá e Envira, seja implantada com elevados padrões de competitividade.

*Escala e Valor Agregado*

No primeiro dia da agenda, a comitiva visitou indústrias de grande porte voltadas à exportação. A proposta é compreender como superar um dos principais gargalos da cadeia produtiva na região: a baixa escala de produção industrial.

Atualmente, a região de Feijó produz entre 35 e 40 toneladas de açaí por mês, mas a comercialização ocorre majoritariamente na forma do fruto in natura.

Além das grandes plantas industriais, o grupo também visitou indústrias de pequeno e médio porte para conhecer tecnologias capazes de preservar as características do açaí de Feijó, que possui selo de Indicação Geográfica (IG).

“Conhecemos desde grandes indústrias até produções artesanais que aplicam controles de qualidade e segurança alimentar. O foco é promover a agregação de valor aos produtos da agricultura familiar, potencializando a Indicação Geográfica que o açaí acreano já possui”, destacou o gerente da Unidade de Fomento às Estratégias ASG, Rogério Dias.

*Infraestrutura e Plano de Negócios*

A visita a fabricantes de equipamentos também é estratégica para a elaboração do plano de negócios do Complexo Industrial. A infraestrutura que será erguida no Polo Industrial de Feijó requer máquinas que garantam o beneficiamento com alto valor agregado, permitindo que a riqueza da industrialização permaneça no estado.

“O nosso objetivo é conhecer de perto as tecnologias necessárias para montar uma indústria de ponta de beneficiamento de açaí e, principalmente, conhecer melhor as possibilidades e potencialidades de tecnologias a serem utilizadas na cadeia produtiva do açaí”, disse o líder do projeto na ABDI, Eduardo Tosta.

Para a presidente da AçaíCoop, Julia Gomes, a imersão técnica é uma etapa fundamental para entender como transformar o potencial extrativista de Feijó em um negócio sustentável e rentável. Hoje, a cooperativa conta com cerca de 100 cooperados e busca escala para acessar novos mercados.

“Esses três dias de visitas às indústrias do Pará foram fundamentais para abrir nossa mente e entender como implementar processos de excelência na unidade que está sendo construída em Feijó. Conhecer realidades que vão do pequeno ao grande porte nos mostrou que, com o potencial de produção que temos no Acre, é perfeitamente possível consolidar uma indústria robusta e competitiva em nosso estado”, afirmou a presidente da cooperativa, Júlia Sousa.

*Integração Regional*

A troca de experiências com empresários paraenses fortalece a bioeconomia da Amazônia. O proprietário da indústria Açaí Paraense, Fladenildo Chagas, conhecido como “Bola”, destacou o ineditismo da iniciativa.

“Fico muito feliz em ver uma agência do Governo Federal interessada em estudar e conhecer uma cadeia produtiva do açaí para um projeto desse porte, pensando nos produtores e em todos os trabalhadores da cadeia. É extraordinário entender como funciona o fluxo para implementar o trabalho corretamente”, afirmou o empresário.

*Sobre o Programa Coopera+*

A iniciativa faz parte do esforço da ABDI para fortalecer o cooperativismo e estruturar cadeias produtivas sustentáveis. Em Feijó, o investimento busca quebrar o ciclo de venda de produtos in natura, garantindo que a industrialização gere emprego e renda, com o apoio da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) na governança. O projeto encontra-se, atualmente, na fase de elaboração do plano de negócios.

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