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Vídeo mostra encontro com nova espécie de inhambu na Serra do Divisor

O pesquisador brasileiro Luis Morais, doutorando do Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), divulgou neste sábado (14) um vídeo gravado na Serra do Divisor, no Acre, em que relata os bastidores da descoberta científica de uma nova espécie de ave encontrada na região. O registro foi publicado nas redes do pesquisador e do Museu Nacional e mostra imagens da floresta montana onde vive a chamada sururina-da-serra, espécie descrita recentemente por cientistas.

No vídeo, Morais aparece em meio à floresta da Serra do Divisor, área localizada na fronteira entre o Acre e o Peru, que ele descreve como “um pedacinho isolado da Cordilheira dos Andes no Brasil”. O pesquisador explica que estava na região estudando aves do gênero Neomorphus quando decidiu investigar a origem de um canto misterioso que havia sido gravado anteriormente por outros pesquisadores.

Segundo ele, após alguns dias de busca na mata, conseguiu ouvir um som incomum que ecoava pelas encostas da serra e confundia completamente a percepção de direção e distância. Para tentar identificar o animal responsável pelo canto, o pesquisador utilizou uma metodologia baseada em design de som, reproduzindo e emulando o chamado da ave para tentar atrair o emissor.

De acordo com Morais, a estratégia funcionou. Pouco depois de reproduzir o som, um inhambu se aproximou caminhando pelo chão da floresta e começou a cantar a poucos metros de distância.

“Foi uma das coisas mais impressionantes que eu já vi”, relata no vídeo. O pesquisador descreve a ave como um inhambu de coloração ferrugem, dorso fosco e uma coroa cinza na cabeça formando uma espécie de máscara, características que não correspondiam a nenhuma espécie conhecida.

Além das diferenças visuais, o canto também chamou a atenção dos cientistas. Segundo Morais, a vocalização da ave apresenta notas longas e ressonantes, que evoluem para uma sequência complexa de modulações.

A partir desse primeiro encontro, novas expedições foram realizadas na região. O pesquisador afirma que, após os estudos e análises com colegas, foi possível confirmar que se tratava de uma espécie inédita para a ciência, posteriormente descrita como a sururina-da-serra.

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