A celebre frase de dois e duas medidas cai perfeitamente nas decisões de primeira e segunda instância da justiça acreana proibindo o show do cantor Evoney Fernandes ( Seu Osmar) no município de Jordão. A decisão tomada a partir do pedido do MP que usou dados do IDH e educacional de anos bem anos anteriores, diferente da atual realidade, soa mais como uma proibição de o povo que já vive isolado, de ter lazer e cultura, a prezar pela “bom uso” do recurso em áreas que os magistrados e o promotor julgam ser mais essencial .Embora a cultura e o lazer também esteja na CF e o poder púbico é um dos responsáveis por assegurar isso à população. Contudo, aos filhos de seringueiros, ribeirinhos e indígenas da barrancas do rio Tarauacá e Jordão a Justiça negou.
Se partimos da premissa que os números em saúde, educação , infraestrutura e a falta de segurança pública no Acre é alarmante , por que o mesmo MP e Justiça permitem shows milionários na ExpoAcre Jurua e ExpoAcre? O que vale para Chico, nao vale para Francisco? O isolamento de Jordão e seu povo não merecem equidade ?
Perguntas essas que deveriam ser levadas em conta pela justiça acreana. Mas não tem sido assim .
A realização do show do cantor Evoney Fernandes em Jordão, ao custo de R$ 400 mil, precisa ser analisada com senso de realidade e respeito às particularidades do município — um dos mais isolados do país, onde o acesso se dá exclusivamente por via aérea ou fluvial. Reduzir o evento a uma simples despesa pública é ignorar fatores logísticos, sociais e culturais que justificam plenamente o investimento.
Mais do que entretenimento, o show integra a programação de aniversário de 34 anos do município, funcionando como um momento de integração coletiva para uma população que, ao longo do ano, enfrenta limitações severas de acesso a bens culturais e opções de lazer. Em regiões com isolamento geográfico como Jordão, eventos dessa magnitude não são viáveis pela iniciativa privada. A ausência de mercado consumidor suficiente e os altos custos de transporte inviabilizam qualquer tentativa empresarial sem apoio do poder público.
*Leandro Matthaus é jordanense, filho de seringueiro. Graduado em Letras pela Ufac, pós-graduado em literatura e cultural africana / segurança pública, jornalista e comentarista político.

