Ícone do site Portal Estado do Acre Notícias

Família pede que Exército ajude nas buscas por indígena desaparecido há 15 dias no interior do Acre

Um indígena da etnia Huni Kuĩ (Kaxinawá) está desaparecido há 15 dias na Terra Indígena Alto Rio Jordão, no município de Jordão, interior do Acre. O caso mobiliza familiares, lideranças indígenas e autoridades locais, que agora buscam apoio de forças especializadas para intensificar as buscas na região de difícil acesso. Moisés Melo Kaxinawá, de 25 anos, desapareceu no dia 7 de abril após sair sozinho para caçar na mata. Segundo o pai, Fernando Siã, o jovem tinha experiência na atividade e costumava retornar no mesmo dia, o que não aconteceu desta vez.

Em entrevista ao ac24horas, Siã relatou que o filho saiu pela manhã com previsão de retorno ao meio-dia, mas nunca mais foi visto. Desde então, indígenas da comunidade iniciaram buscas por conta própria e encontraram indícios que podem ser do jovem, como pegadas e sinais de vegetação cortada. “Ele está acostumado a caçar, mas nunca tinha ficado sem voltar. Com as chuvas, encontramos marcas de pisadas e mato cortado na região entre os rios Tejo e Caipora”, afirmou.

O Corpo de Bombeiros chegou a atuar nas buscas por cinco dias, mas deixou a área recentemente. De acordo com o pai, a equipe informou que não possuía equipamentos adequados para continuar a operação nas condições da floresta.

Diante da situação, Fernando Siã publicou um vídeo nas redes sociais nesta terça-feira (21), fazendo um apelo direto ao Exército Brasileiro, ao Corpo de Bombeiros e às autoridades municipais para reforçarem as buscas. “Estou pedindo ajuda dessas equipes mais profissionais, como o Exército, com equipamentos que possam localizar, com helicóptero, uma equipe que possa entrar nesses dois rios”, disse.

A titular da Secretaria Extraordinária de Povos Indígenas do Acre, Francisca Arara, informou que acompanha o caso e que deve formalizar pedidos de apoio a órgãos como o Exército e o Grupo Especial de Fronteira (Gefron).

Segundo ela, um ofício foi encaminhado nesta terça-feira para reforçar a solicitação de apoio institucional. A gestora destacou a necessidade de equipes com conhecimento da floresta e estrutura adequada para operações desse tipo. “É preciso pessoas que saibam andar na mata e tenham equipamentos apropriados para acompanhar. Já tivemos outros casos recentes de indígenas que se perderam”, afirmou.

Francisca também apontou possíveis fatores que podem estar contribuindo para o aumento dos desaparecimentos, como mudanças climáticas e o regime de chuvas intensas na região. “Os caçadores usam muito o sol para se orientar. Com esse período de muita chuva, isso pode estar dificultando a orientação dentro da floresta”, explicou.

O caso segue em acompanhamento, enquanto familiares e lideranças indígenas aguardam uma resposta rápida das autoridades para ampliar as buscas e tentar localizar o jovem ainda com vida.

Sair da versão mobile