Uma jovem de 23 anos registrou nesta quarta-feira, 22, na Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher de Cruzeiro do Sul, uma denúncia de assédio sexual e violência contra o empresário Lindemberg Pereira Chaves, dono de um dos maiores laboratórios da cidade. A mulher trabalhou no local por quase dois anos e foi demitida após se afastar para tratar da saúde mental. Devido ao assédio, ela diz ter desenvolvido um quadro ansioso-depressivo e teve que se ausentar do emprego por dez dias. Na volta, a empresa alegou que teria que transferi-la da matriz para um ponto de atendimento em outro local e com salário menor. Ela não aceitou e foi demitida.
“Mas isso tudo aconteceu porque eu não aceitei o assédio dele. Tudo começou quando eu estava mais ou menos com uns 5,6 meses na empresa, de carteira assinada e tudo. O meu chefe começou com umas conversas estranhas e uns olhares diferentes pra mim. E daí começou mesmo. Ele esperava eu sair do laboratório, me seguia e pedia pra eu entrar no carro dele. Me esperava na esquina pra me levar e eu passei a sair sempre acompanhada com uma colega por proteção minha. Ele me telefonava e queria ir na minha casa. Aconteceu também que uma colega minha presenciou ele levantando minha blusa, pedindo pra ver uma tatuagem que eu tinha feito. E isso tudo aconteceu num período em que a esposa dele tava fazendo tratamento pra câncer. Então eu decidi não expor, devido ao momento delicado que ela tava passando e tudo mais. Aí fui aguentando”, relata ela. A jovem cita que devido à situação desenvolveu um quadro de depressão e procurou ajuda médica.
No Boletim de Ocorrência, ela relata a situação. “Venho por meio deste relatar e formalizar situação de assédio sofrida no ambiente de trabalho.Ocorre que meu superior hierárquico, Sr. Lindemberg Pereira Chaves, tem adotado comportamento inadequado e abusivo, extrapolando os limites da relação profissional. Em diversas ocasiões, o mesmo enviou mensagens de cunho pessoal, insistindo em encontros fora do ambiente de trabalho, com expressões como querer me ver, o que me causou extremo desconforto, constrangimento e abalo emocional. Ressalto que tais condutas não foram consentidas e são incompatíveis com um ambiente de trabalho saudável e respeitoso, configurando assédio, especialmente pelo fato de haver relação de subordinação. Diante disso, manifesto minha insatisfação e repúdio a esse tipo de comportamento, requerendo providências imediatas para cessar tais atitudes, bem como a apuração dos fatos, com a adoção das medidas cabíveis. Por fim, ressalto que busco a preservação da minha dignidade, integridade psicológica e respeito no ambiente de trabalho, direitos estes garantidos por lei. Os fatos tiveram início aproximadamente entre o 5º e 6º mês após o início do meu vínculo de trabalho. Antes mesmo desse período, eu já percebia comportamentos inadequados por parte do meu superior, que frequentemente me olhava de maneira constrangedora e diferente do habitual.Com o passar do tempo, as situações se intensificaram. Ele passou a fazer comentários de cunho inapropriado dentro do ambiente de trabalho, como, por exemplo, dizer que queria poder tirar o meu batom, o que me deixava extremamente desconfortavél, Em diversas ocasiões, ele também aguardava o término do meu expediente e me seguia de carro, insistindo para que eu entrasse no veículo com ele, o que me causava medo e insegurança.Ressalto ainda um episódio em que ele levantou minha blusa no ambiente de trabalho, sem a minha autorização, sob o pretexto de ver uma tatuagem”, citou ela no Boletim de Ocorrência.
Lindemberg parece ter pretensões políticas. Em março deste ano se filou ao PL do ex-presidente Jair Bolsonaro, tendo como “padrinho” o senador Márcio Bittar. “Foi um momento muito importante na minha trajetória. Reafirmei meu compromisso de continuar trabalhando com dedicação, responsabilidade e respeito pelas pessoas. Essa nova etapa representa mais um passo na missão de contribuir ainda mais com o desenvolvimento do nosso estado e com a melhoria da vida da nossa população”, citou ele na postagem nas redes sociais após a filiação. Ele pretende ser pré-candidato a deputado federal.
O que diz o empresário
Procurado para falar sobre o assunto, o empresário Lindemberg Pereira Chaves, disse ao ac24horas que não foi oficialmente notificado sobre qualquer denúncia ou procedimento relacionado aos fatos mencionados, razão pela qual não tem conhecimento formal do conteúdo de eventuais alegações. Afirma que prestará todos os esclarecimentos necessários nas instâncias apropriadas, caso seja formalmente solicitado.
“Repudio de forma veemente qualquer imputação de assédio ou prática ilícita. Acusações dessa natureza são graves e devem ser tratadas com responsabilidade e apuradas exclusivamente pelas autoridades competentes, e não por julgamento antecipado em ambiente público. Prestarei todos os esclarecimentos necessários nas instâncias apropriadas, caso formalmente instado. Após a devida apuração dos fatos, serão adotadas as medidas cabíveis para resguardar minha honra, minha imagem e os direitos que eventualmente tenham sido violados”, enfatizou.

