O Acre integra um grupo restrito no Brasil. Entre os 27 estados, apenas cinco são governados por mulheres — e o Acre passou a fazer parte desse seleto grupo no dia 2 de abril de 2025, quando Mailza Assis (PP) assumiu o Palácio Rio Branco. Em pouco tempo à frente do Executivo, sua gestão já deixa marcas no protagonismo feminino dentro da administração pública, especialmente na segurança institucional.
Após mais de um século de existência, a Polícia Militar do Acre tem, pela primeira vez, uma mulher no posto mais alto da corporação. A coronel Marta Renata Freitas assumiu o Comando-Geral em 11 de dezembro de 2024, ainda durante a gestão anterior, e foi mantida no cargo quando Mailza assumiu o governo.
“Em estruturas historicamente masculinizadas, como a política e a segurança pública, a ocupação desses espaços por mulheres amplia os horizontes de reconhecimento e legitimidade para outras mulheres. Isso não significa que as desigualdades desapareçam automaticamente, mas rompe com a ideia histórica de que liderança, autoridade e comando pertencem exclusivamente aos homens.”
Foto: Diego Gurgel/Secom
A coronel reconhece os avanços, mas aponta que ainda há caminho a percorrer: “Ocupar esse espaço não significa deixar de ser mulher para ser aceita. Infelizmente, nós ainda precisamos provar continuamente nossa legitimidade dentro das instituições. Tivemos avanços, é certo, mas ainda serão necessários mais alguns passos para compreender que competência, autoridade e sensibilidade não são características incompatíveis.”
Para atuar em sua rotina diária, Mailza Assis escolheu quatro policiais militares mulheres como ajudantes de ordens (AJO) — função que exige dedicação integral para coordenar agendas, acompanhar viagens e garantir o atendimento imediato das necessidades da chefe do Executivo. São elas: Muana Kerlla Martins, Theanne Medeiros, Ingra Rezende e Deinifrance França.


